quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

O que houve com o Pré-sal

Por Almir M. Quites


O que houve com o Pré-sal? 

Lembro que em 2012 a Petrobras anunciou a descoberta de uma nova reserva de petróleo e gás na camada Pré-sal, na Bacia de Campos, a 200 quilômetros da costa fluminense. O poço foi chamado Pão de Açúcar. Segundo a notícia da época, a Petrobras indicou "uma estimativa de volumes recuperáveis acima de 700 milhões de barris de óleo de boa qualidade e 3 trilhões de pés cúbicos (545 milhões de barris de óleo equivalente) de gás".

Por que não se ouve mais nada sobre o Pré-sal? Porque antes ele era muito explorado pela propaganda política de governos populistas. As dificuldades tecnológicas e econômicas eram minimizadas e as vantagens eram maximizadas. Eu denunciei, em artigos publicados, que a euforia artificialmente gerada pelo marketing político levava o próprio governo a cometer desatinos. Veja, por exemplo, este artigo:
QUEM APUNHALOU A PETROBRAS E O BRASIL? (publicado em 2014 e com referência a outro de 2009). 

Geralmente, quem está certo é justamente quem discorda e afronta a aparente unanimidade! 

Agora que a crise econômica se aprofundou e a verdade se impôs na mídia como fato incontestável, pode-se perceber que a agonizante Petrobras tenta renascer mais realista. Os postos de extração de óleo e gás que se consolidaram como viáveis, devem ser privatizados e a prospecção e exploração em águas profundas devem ser abandonadas.

O Pré-Sal foi usado para marketing político, o qual criou ilusões. Na crença de que a galinha poria ovos de ouro, o pais inteiro se dispôs a gastar por conta. Uma década foi perdida na ganância e na ideologia. Quase cinco anos foram perdidos só na discussão do modelo administrativo da exploração e especialmente sobre a participação das empresas estrangeiras. Assim, somente um leilão, um único e mal feito leilão de condomínios petrolíferos ocorreu. Perdeu-se a chance de captar centenas de bilhões de reais em investimentos na última década.


O ufanismo causado pela propaganda do Pré-sal, contaminou até mesmo o próprio governo que a produziu. Isto levou ao aparelhamento da alta administração da Petrobrás, à corrupção e à preocupação com o reforço do discurso politico ("nós contra eles”). Junte-se isso a crise internacional das commodities e fica evidente como os fatos destruíram as ilusões dos brasileiros. Sobraram enormes dívidas causadas pela irresponsabilidade governamental. Restou um país falido, mergulhado na maior crise de sua História. Povo iludido, povo sofrido.

Desde o inicio do governo Lula, quando a crença no petróleo abundande foi elevado à condição de nirvana (
paraíso futuro) a prospecção e produção em terra ("onshore") foi colocada de lado, como algo a ser abandonado. Isto foi um erro gravíssimo, porque a prospecção e produção em terra possui maior impacto social, tanto em mão de obra quanto em conteúdo nacional de qualidade em equipamentos.

Os investimentos cessaram, a produção caiu para cerca da metade e, no entanto, os poços não foram privatizados, embora houvesse o crescente interesse de empresas privadas nos campos já maduros. Assim, muitas regiões perderam vultuosos recursos e milhares de empregos, especialmente no norte e nordeste do país.

Mesmo tendo um país continental e com bacias onshore fecundas, em relação às dos demais países sul-americanos, nosso desempenho é pífio. "O petróleo é nosso", mas ficará no fundo da terra para sempre. Há um lado bom nisso e o mundo agradece: assim não se agrava a questão do Aquecimento Global! No entanto, é um efeito colateral, porque o objetivo não era este. A Petrobras apenas cessou investimentos nos campos terrestres e não os privatizou por ganância, queria explorar muito mais no mar, em águas profundas. Trocou o certo pela duvidosa crença na propaganda da galinha marítima de ovos de ouro paridos pelo Pré-sal.


A partir do impeachment da presidente Dilma Rousseff, percebe-se uma grande mudança na gestão da Petrobras e nas suas estratégias. Começou a venda de campos maduros e menores em terra e em águas rasas. Sem as demagógicas imposições governamentais, a Petrobras começou a se recuperar, examinando de modo pragmático as possibilidades dos campos onshore e offshore.

A Petrobras foi liberada da esdrúxula obrigação de participar da exploração de todos os condomínios do Pré-sal. Antes, mesmo que a Petrobras não quisesse um condomínio, nenhuma outra empresa poderia arrematá-lo num leilão. Todos perdiam, especialmente o Brasil. No último leilão, o ágio chegou a 170%.


Com isso e com simples medidas visando a desburocratização, o Brasil voltou a atrair investimentos que se refletirão em mais de 60 novas plataformas de produção entrando em operação até meados da próxima década. Isto significa, segundo dados da ANP, a possibilidade de dobrarmos a atual produção para mais de 5 milhões de barris de óleo (óleo e gás) por dia, tornando-nos um dos cinco maiores produtores do mundo.

A regra voltou a ser a normal, a lógica, ou seja, investir em grandes campos e vender os campos maduros e pouco produtivos. É o que se faz no mundo. Existem empresas privadas especializadas no aumento da eficiência operacional destes campos menos produtivos.


O otimismo voltou! Os jovens engenheiros, muitos ainda desempregados, podem agora se integrar neste esforço de desenvolvimento.

O Brasil precisa da continuidade no calendário de leilões de condomínio exploratórios, do respeito a contratos antigos e de uma previsibilidade regulatória para poder realizar os investimentos necessários à colheita dos royalties.


O mercado petrolífero é global. Se aqui não for dada a segurança jurídica necessária para que se façam investimentos, outros países darão e o Brasil perderá a janela do petróleo, que muito em breve se extinguirá. Os países mais desenvolvidos já investem massivamente em outras formas de geração de energia, para substituir o combustível fóssil.


Leitura recomendada;

1- Bônus cumulado: https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/09/28/veja-os-resultados-da-5a-rodada-de-partilha-de-producao-da-anp.ghtml

2- Seminário ANP – Incremento no fator de recuperação: http://www.anp.gov.br/images/Palestras/Aumento_Fator_Recuperacao/Relatorio_do_Seminario_sobre_Aumento_do_Fator_de_Recuperacao_ANP.pdf

3- http://www.anp.gov.br/noticias/anp-e-p/3644-1-seminario-da-anp-sobre-aumento-do-fator-de-recuperacao-reune-30-empresas

𝓐𝓵𝓶𝓲𝓻 𝓠𝓾𝓲𝓽𝓮𝓼
A. M. Quites


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