sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

FANATISMO E POLÍTICA

(Reflexões pessoais)

Artigo de Almir Quites escrito em 12/12/2012


Fanatismo é o irrefreável impulso de seguir doutrinas às cegas, sejam políticas ou religiosas. O fanatismo torna o indivíduo menos racional. O Brasil é formado por uma população muito suscetível ao fanatismo, devido à enorme deficiência educacional, que a deixa infantilizada e narcisista. Esta afirmação é dura, eu sei, mas é sincera.


Para quem não é fanático, acreditar não é um ato de vontade, porque decorre da
necessidade de adaptação à realidade e vem do recôndito mais íntimo do ser, das intensas conexões bidirecionais entre o córtex pré-frontal com o tálamo, amígdala e outras estruturas subcorticais. Se eu pudesse escolher livremente aquilo em que acredito, preferiria acreditar, por exemplo, na existência de alguma forma de providência infinitamente amorosa que zelasse pelos nossos destinos pessoais e coletivos; preferiria acreditar na perenidade da alma após a morte, na recompensa dos justos e na punição dos perversos. Contudo não creio. 

Querer acreditar não basta. Há muito pouco em comum entre aquilo em que se pode acreditar — o domínio do crível — e aquilo em que se tem vontade de acreditar — o domínio da fé. Por mais que isso fira o nosso conforto psicológico, o desejo de acreditar não deve subjugar o impulso de investigar e descobrir.

Para o fanático não é assim. O fanático acredita naquilo que lhe convém e o faz mentindo tão completamente que chega a acreditar que crê naquilo que finge crer. Nos assuntos de fé, o fanático não quer conviver com a menor dúvida. Então não questiona, não investiga, não discute. Quando a realidade contrasta a sua fé, ele gasta tempo e dinheiro na busca de reforço às suas convicções. É a demência por conveniência!

O fanatismo traz funestas consequências ao indivíduo e mesmo para a nação. Ele se evidencia principalmente na religião e na política, mas também no futebol e em outras trivialidades. O fanatismo afeta mais as pessoas ignorantes e os que possuem debilidades psicológicas. Entre os brasileiros, observam-se paixões tão profundas que fomentam graves rixas entre grupos, numa profunda inconsciência coletiva. Grupos de torcedores de diferentes times de futebol chegam a se agredirem a se matarem!

A idolatria é mais frequente entre adolescentes, mas também ocorre em adultos. Neste caso, o fanatismo pode ser entendido como uma forma de psicopatologia. É muito estranha esta compulsão para projetar expectativas, sonhos e ideais em ídolos e, para mantê-los intactos, negar-se a ver a realidade por mais contundente que ela seja.

Não pretendo explicar aqui as causas do problema, que são complexas e individuais. A seguir, atenho-me à política.

O fanatismo político parece ser um pouco diferente quando também envolve interesses pessoais, como favores, além da pura “ideologia”. (na definição de Marx, ou seja, ideologia como "máscara para justificar o inconfessável"). Também entram em jogo fenômenos de massa, inclusive a ação de marqueteiros habilidosos, mestres na criação de factoides. A vítima perde ou abre mão de seu “Ego” ou personalidade. Este é um fenômeno amplamente estudado desde o início do século passado, pela escola de Psicologia chamada de “GESTALT”, de origem alemã e emersa da propaganda nazista durante a segunda grande guerra mundial. Goebbels, chefe da propaganda alemã, costumava dizer que “as multidões, têm a idade mental de uma criança de oito anos”.

Um exemplo de resistência fanática é a que aparece na aprovação de Lula mesmo durante os escândalos frequentes e ininterruptos de seu governo e de seus partidários. Os fanáticos de Lula, ainda que tenham formação superior, são incapazes de reconhecer o óbvio: que Lula é ignorante, inculto, incapaz de passar em qualquer concurso público, mesmo que este exija apenas os conhecimentos do primeiro grau.

No entanto, marqueteiros profissionais trataram de mudar a imagem pública de Lula. Enquanto ele fosse visto como alguém mal vestido, ex-retirante barbudo, que não sabe se expressar, não se elegeria, apenas bateria recordes de derrotas. Assim, não teria sido Presidente da República. Mas os marqueteiros sabiam que não seria preciso mudar o Lula, bastaria mudar o modo como a população o via. De fato, o seu destino foi mudado!

Lula era um simples operário que integrava a direção de um sindicato no ABC paulista. Ele fazia discursos para os operários. Como que ele se tornou um político?


Consta que, quando Golbery do Couto e Silva tornou-se chefe da Casa Civil da Presidência da República (1974), cargo que manteve com a posse do novo presidente, João Figueiredo, teve a missão de reorganizar adequadamente os partidos políticos no Brasil, para prepará-lo para a redemocratização. Então, entendeu ser necessário dividir a oposição que estava unida no PMDB de Ulysses Guimarães. Criaram-se então novos partidos (1979). Golbery precisava dividir também o novo PTB que ressurgia com Leonel Brizola. Resolveu então "encher a bola" de um novo mito e dar-lhe parte do PTB. Lula foi o escolhido. Golbery entregou a ele a parte do PTB, que ficou conhecida como PT, e deu a outra parte para Ivete Vargas (sobrinha-neta do Presidente Getúlio Vargas). Brizola teve que fundar um novo partido para si, o PDT de hoje.

Antes disso, pegaram Lula como “fantoche”, para se servirem de sua imagem perante o proletariado. Foi assim que sua sorte mudou. A TV Globo passou a apresentá-lo, nos noticiários, como um fenômeno político dos sindicatos do ABC paulista e amiúde mostrava imagens dele discursando aos sindicalizados. Com o tempo, a “massa” passou a vê-lo bem vestido, em ternos “Armani”, barba e cabelos curtos, aparados, com “botox”, dentes novos e brancos, ou seja, um exemplo de “vitória” e de “ascensão social”, de retirante a aclamado por intelectuais e pela elite empresarial.

Certamente Golbery não esperava que Lula chegasse à Presidência da República. Nenhuma estratégia é perfeita! O mito cresceu além da conta e o fanatismo também!

Como era de se esperar, houve “lambança”, aquela que é típica daqueles que “nunca comeram melado e se lambuzam”; houve compra de votos, entrevistas embriagadas, dólares escondidos nas cuecas, “Land Rovers” presenteados, “mensalão”, escândalos de favorecimentos à família de Lula, etc., mas nada “colou”. Lula estava absolutamente “blindado”, porque o povo fanatizado não quer saber da verdade, para não se decepcionar. Além disso, admitir o erro seria admitir a sua própria incapacidade e ignorância.

É assim que funcionam os “fanatismos” e as “idolatrias”. Hoje vemos pessoas se ofendendo em fóruns, sites e blogs, por causa de seus ídolos, sem sequer notarem o ridículo de suas atitudes e o primitivismo de seu comportamento irracional e nocivo. Tudo porque, na política, confirmando a citada frase de Goebbels, tornaram-se adultos com idade de oito anos!

Como Lula era incapaz de governar o País, criaram-se os famigerados ministérios de "porteira fechada", onde o presidente não entra e não influi. Cada ministério pertence a um partido político da base aliada. Transformou-se num feudo. Cada ministério passou a ser um governo paralelo no Brasil. O presidente não escolhe nem destitui qualquer ministro, só representa a farsa formal. Quem decide, de fato, é o partido dono do ministério. Os ministérios perderam a coordenação. O Brasil perdeu muito mais. 


A presidente Dilma, que sucedeu o presidente Lula, não teve condições de recuperar os ministérios feudais. Eles são muito resistentes. A recuperação destes ministérios será impossível enquanto não houver uma comoção geral no país, talvez até uma drástica quebra dos ditames constitucionais do país.

Além disso, há outro perigo, pois o fanatismo leva à intolerância, que desemboca em conflitos, que influenciam negativamente a convivência gregária, que é característica dos seres humanos.

Para finalizar esta pequena digressão, deixo aqui uma mensagem final: a escola, principalmente os professores universitários, deveriam se levantar contra essa situação e trabalhar para conscientizar as pessoas da existência deste fanatismo idiotizante, para libertar o povo, que precisa estar consciente de sua condição, para não mais ser presa fácil de marqueteiros políticos. No entanto, as escola e as universidades se omitem. Por vezes até praticam a doutrinação política em sala de aula.


O  fanático não se interessa pela verdade, porque é fiel à sua crença. Logo, é mentiroso.

Por fim, uma quadrinha heptassilábica (sílabas fonéticas) que compus sobre este tema:

O Fanático é demente.
Mente tão completamente,
que afinal consegue crer 
no que tanto finge crer.



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Vejam também:
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    COMENTÁRIOS SOBRE O ARTIGO: FANATISMO E POLÍTICA

    Elgien escreveu:

    Precisaria de muito espaço e tempo, coisa não disponível num comentário de blog. Os democráticos coeditores deste jornal me honram, às vezes, publicando meus comentários num post.
    Mas, porém, todavia, no entanto, no entretanto, solicito ao articulista da matéria Fanatismo e Política, já que se apresenta como um pensador, um racionalista, um lógico, que conteste o que vou sintetizar:
    Não se tem dúvida sobre a conservação da matéria, tampouco da energia. Einstein, com aquela singela formuleta, E=m(CxC), onde E é a quantidade de energia que se extrai de uma quantidade de matéria multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado, demonstrou que há um intercâmbio entre energia e matéria e ambas são conservativas.
    Numa exposição grosseira, para quem é do ramo, na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Pois bem. Quando se analisa os atributos humanos, percebe-se que, desde os minerais, os vegetais e os animais, não há como negar que se expressam através de matéria e energia.
    Mesmo nos minerais que não possuem autonomia, em suas entranhas existem átomos que inevitavelmente estão a se movimentar em velocidades enormes. Os vegetais, apesar de pouco mobilidade física, se expandem, crescem, interagem com o meio trocando matéria e energia. Os animais possuem mobilidade e se deslocam obedecendo o instinto da espécie.
    Chegamos ao homem.
    Este é dotado de um atributo que não lhe vem do instinto, mas do que se chama inteligência, isto é, (inter + legere) = estabelecer relações entre, leitura entre. Notável que a ciência busca explicar a presença da razão através de sinapses ocorridas em determinada região do cérebro via interações neuronais. Tudo bem.
    Mas se o articulista buscasse na lógica Aristotélica alguns elementos, ele se daria conta de que um efeito não pode ser maior do que sua causa, ou mesmo que do nada, nada aparece. É aí que a porquinha torce o rabo. A razão domina a matéria e a energia. Evidentemente é um estágio, um processo humano que vai desvendando aos poucos os mistérios da natureza. Mas a energia, em si, não pode, por lógica, ser mais do que é. Assim, a razão a domina por ser algo que lhe é superior.
    Mas se existem leis comprovadas de que matéria e energia são entes conservativos, o que nos levaria a pensar que a razão, a inteligência, ou dê-se o nome que se queira, desaparece? Os místicos dão nome de espírito àquilo que ainda está submetido ao campo das dúvidas. Vamos então para outro lado da questão. Cientistas materialistas (?) estabeleceram um nome curioso para definir não só a natureza, mas seus processos dinâmicos. Postulado da necessidade. Assim, por si só, cada elemento natural busca, através de interações, reações, uma condição que atenda a duas leis naturais, a do mínimo esforço e a do máximo rendimento. Não há nenhum deus por detrás dessa trajetória. Simplesmente a natureza procede assim, de acordo com eles. No entanto e curiosamente, o homem percebe que sua intervenção na natureza se faz através de uma hierarquia, isto é, primeiro ele pensa, depois trabalha para obter, finalmente, o que projetou, idealizou. Pensamento, ou ideia, trabalho, ou energia, e ação, ou concretização. Ninguém cria alguma coisa e chama alguns parceiros para dar nome e função ao que se criou. E lá está, novamente, a razão, acima da energia e da matéria para concretizar o que se pensou, ou idealizou. A matéria e a energia hierarquicamente subjugadas à razão, ou à inteligência.
    Vamos ao toque final do raciocínio, particular, confesso, onde se observa que na natureza todo e qualquer fenômeno obedece a leis. O que o homem de ciência faz é aplicar leis sobre a matéria e a energia. Não há como fugir disso. Tenho enorme dúvidas sobre o Big Bang, muito embora ele não esteja renegado pelos Hindus, pois em sua doutrina eles consideram como a Grande Respiração de Brahma. No entanto, seja com Big Bang ou não, não ouvi, ou li, nenhuma alusão às leis que determinam a maneira com que toda e qualquer quantidade de energia e matéria se comportarão.
    Em outras palavras, antes da matéria e da energia explodirem num Big Bang, Algo determinou que assim se procedesse desde que em ordem, isto é, sob leis determinantes. Os gregos chamaram de Khosmos essa ordem. Mais ainda, jamais aceitaram o que se manifesta possa ter vindo do nada, pois nada não pode, por lógica constituir coisa alguma.
    Então, meu caro articulista cético: Que tal dar nome a esse Algo curioso que, através de um Big Bang, botou ordem no galinheiro? Como afirmei, o espaço é pequeno demais para se discutir assunto de tamanha relevância e principalmente – necessidade.
    ______________________

    RESPOSTA DO AUTOR
    Almir Monteiro Quites disse:
    09/02/2015 às 11:49

    Prezado Elgien

    Sou o tal “articulista cético” (em suas palavras) que escreveu FANATISMO E POLÍTICA.

    Não entendi sua resposta como uma contestação ao meu artigo. Aliás não vejo nela qualquer relação com ele, a menos que tenha a ver com alguma frase ou expressão usada lá, mas nada em relação ao seu conteúdo principal.

    Sua manifestação é a de um místico e eu não sou um místico. Em seu texto, há muitas afirmações das quais discordo, mas vou me ater aqui ao principal.

    Você me pergunta: “Que tal dar nome a esse Algo curioso que, através de um Big Bang, botou ordem no galinheiro?”

    Bem, sua pergunta inclui metáforas desnecessárias, mas literariamente interessantes. ALGO CURIOSO deve ser uma alusão a DEUS, o seu Deus. GALINHEIRO deve ser o UNIVERSO. Seríamos nós, os seres vivos, as galinhas?

    Agora pergunto-lhe eu: Se ALGO CURIOSO criou o UNIVERSO, quem foi o ALGO MAIS CURIOSO que criou ALGO CURIOSO? Se você não consegue definir claramente o que seja ALGO CURIOSO, como afirmar que existe ALGO ou ALGUÉM que tenha criado o UNIVERSO.

    Eu prefiro não criar estórias sobre o que desconheço. No máximo, formulo hipóteses.

    Atensiosamente

    Almir M. Quites

    ___________________

    COMENTÁRIOS

    Elgien disse:
    09/02/2015 às 16:55

    Como diria meu pai, já que jacatamo, jalavamo.
    ” Se eu pudesse escolher livremente aquilo em que acredito, preferiria acreditar, por exemplo, na existência de alguma forma de providência infinitamente amorosa que zelasse pelos nossos destinos pessoais e coletivos; preferiria acreditar na perenidade da alma após a morte, na recompensa dos justos e na punição dos perversos. Contudo não creio.
    Querer acreditar não basta. Há muito pouco em comum entre aquilo em que se pode acreditar — o domínio do crível — e aquilo em que se tem vontade de acreditar — o domínio da fé. Por mais que isso fira o nosso conforto psicológico, o desejo de acreditar não deve subjugar o impulso de investigar e descobrir”.
    Por que a afirmação de que sou místico? Tentei argumentar logicamente usando, inclusive a ciência como base. Tenho formação científica, sou engenheiro químico, com pós graduação em Administração Industrial e Aperfeiçoamento em Administração de Empresas. Trabalho sobre um livro onde pretendo relacionar a matemática diretamente com o comportamento não só dos empresários como também dos seus colaboradores. Seu fundamento é a Teoria Geral dos Sistemas. Estou expondo isso como um forma de identificar-me para quem não me conhece. Só tem valor para isso, pois posso perfeitamente ser mais um dos milhões de picaretas que infestam o globo. Há um ditado nordestino que afirma: “Todo vigarista é bem apessoado”. Há muito estudo a estreita relação entre ciência, filosofia e religião, pois estou convencido de que, mais dia, menos dia, elas convergirão para um mesmo ponto. Evidente não me refiro às religiões tais quais se expressam. É necessário buscar informações que fujam do que é fácil assimilar sem pensar. Sem querer estender qualquer tipo de adesão ao que penso, pois esse é assunto bem particular. Não tenho a universalidade e a intemporalidade exigida de um intelectual, mas penso que me defendo bem intelectualmente no jogo pesado da existência. Sei que sou apenas parte de um todo com a dificuldade inerente de enxergar mais do que o meio ambiente que me envolve. Cordiais saudações.
    _______________________

    Resposta do autor
    Almir Monteiro Quites disse:
    10/02/2015 às 19:02


    Prezado Elgien

    Você informa que está escrevendo um livro sobre ciência, filosofia e religião. Pois bem, tome minhas discordâncias como uma contribuição. Como já disse, discordo frontalmente de muitas de suas afirmações, desde aquele seu primeiro texto, o qual contestava minha postagem inicial. Espero que se interesse por minhas discordâncias e que estas lhe sejam úteis de alguma forma.

    Começo agora por destacar a sua nova pergunta: “Por que a afirmação de que sou místico? Tentei argumentar logicamente usando, inclusive a ciência como base. Tenho formação científica, sou engenheiro químico, com pós graduação em Administração Industrial e Aperfeiçoamento em Administração de Empresas.” Agora respondo a sua pergunta: concluí que você é místico pelas idéias que expôs. Místico é quem busca a comunhão com uma derradeira realidade, divindade, verdade espiritual ou Deus. É exatamente isso o que você informa no seu texto. O fato de alguém ter formação científica não o exclui do conjunto dos místicos. Há cientistas místicos, embora eu suponha que vivam num conflito íntimo. Ser engenheiro ou matemático também não o exclui.

    Eu esperava que você respondesse às perguntas que lhe fiz? Continuarei aguardando.

    Retomo e traduzo, para mais clareza, a pergunta que você me fez em seu primeiro texto: “Que tal dar nome a esse Algo curioso que, através de um Big Bang, botou ordem no galinheiro?”

    Eliminando as metáforas, sua pergunta se resume ao seguinte: “Que tal chamar de Deus àquele que, através de um Big Bang, botou ordem no Universo?” Você concorda que sua pergunta foi precisamente esta?

    Agora respondo.

    O Big Bang não colocou ordem no Universo. Ao contrário, ele causou uma desordem incomensurável. O Big Bang foi um processo estupidamente entrópico. Aliás, a entropia continua crescendo!

    Agora repito minha colocação anterior. Se Deus criou o Universo, então um Deus Maior criou Deus. E segue-se, pela mesma lógica, que um Deus Ainda Maior criou o Deus Maior. E assim por Diante. A série de Deuses é infinita. Portanto, todos os Deuses da série são criaturas. Criatura significa coisa criada, portanto, não pode ser Deus, porque os deuses da série não satisfazem aos conhecidos atributos de onisciência, onipotência, onipresença, perfeição, eternidade e de “necessária existência”.

    Pelo exposto, concluo que não vejo como unificar Ciência, Religião e Filosofia.

    Repito, que eu prefiro não criar estórias sobre o que desconheço, para não me iludir. No máximo, formulo hipóteses.

    Atenciosamente

    Almir M. Quites
    ____________________________

    Resposta
    Elgien disse:
    09/02/2015 às 11:39

    Não nos cabe determinar o que é Deus, ou buscar um lenitivo para essa angústia existencial. Parto de outro pressuposto lógico onde estabeleço uma relação entre o infinito e o finito. Como creatura, somos evidentemente finitos e fazer ilações sobre o que é infinito é perda de tempo. Creador supõe-se Aquele que tira de si o creado, isto é, do Infinito o que é finito. Uso, como Huberto Rhoden, o termo Creador por ser mais lógico, pois que, Criador qualquer creatura pode ser. Cria-se o telefone, o navio, o computador, não tirando-os de si, isto é, materializando algo que de origem é imaterial, mas, através do manuseio das matérias primas oferecidas pela natureza. Quando o fazemos, penso eu, realizamos a semelhança do Creador. Repito, semelhança, não igual. Por que? Temos Sua Substância, necessariamente. Se houvesse a possibilidade de o Creador crear fora de si, então estaríamos diante de um problema grave, sua Onipresença. Haveria algo exterior a Si mesmo. Por que admitir a existência de um Creador. Pois é exatamente observando os fenômenos naturais e, particularmente, a ação humana. Como já reportei, a criação humana se faz através de uma hierarquia. Pensamento, Vontade, Ação. Idéia, trabalho e concreção. Poder-se-ia chamar-se qualquer coisa criada pelo homem como uma idéia concretizada. Ora, a pergunta que se faz é: “Quem creou o mundo, o universo? Fica-nos difícil não acreditar numa Causa Primordial, numa Causa completamente independente da Sua própria creação. Mas aí já é assunto para livros, não para um pequeno argumento num comentário.
    ____________________________

    Comentário
    Cláudio Roberto de Oliveira disse:
    09/02/2015 às 03:23

    Invoco Seu nome, desse Algo, com bastante frequência. Gostaria que minha fé Nele, fosse sólida e ininterrupta, mas não é, ela claudica e às vezes, é capenga. O deus da evolução, esse deus mais novo, me enche de dúvidas e ridiculariza minha crença no meu Deus primeiro. Já vivi muitos anos, e esses anos foram mais e mais, cada vez me impondo dúvidas.
    É sempre muito bom conhecer um novo ângulo para se imaginar Deus. Valeu.
    ____________________

    Elgien disse:

    Esqueci de me referir a um importante fator, o uso do blog P&P para esse fim. É provável que teremos de marcar uma esquina, na escuridão da noite, para sacar as armas.

    lgn disse:

    Almir, já me interessei por suas discordâncias. Debate, para mim, tem um significado, desanuviar, esclarecer, melhorar a posição anterior, tornar-se mais próximo do que se supõe ser o real. Longe de mim querer fazer proselitismo, principalmente religioso. Sei que não é fácil sintetizar, fundir coisas tão aparentemente desajustadas como religião, ciência e filosofia, mas é esse exatamente o caminho que tenho percorrido e com a convicção de que não restará obstáculo na convergência dos mesmos. Tudo depende da base em que se fundamentam as coisas. Aguarde-me, pois.

    Vejam também:
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