domingo, 1 de abril de 2018

Não há o que comemorar

Por Almir M. Quites

Medalha de mérito O PACIFICADOR,
concedida a José Genoíno pelo Exército Brasileiro.


Recebi ontem vídeos de comemoração do dia 31 de março (dia do Golpe de Estado de 1964), provavelmente impulsionados por robôs, os quais são as bombas de recalque das redes sociais

Quero deixar bem claro aos meus amigos e conhecidos que não participo deste movimento. Acho que vocês, que me remeteram os vídeos, estão sendo iludidos. Explico melhor a seguir.

Não há nada a comemorar. O governo militar foi uma ditadura como qualquer outra, corrompida e implacável. Muitíssimas atrocidades foram cometidas e não devem ser esquecidas, para que não sejam repetidas. Só não sabem disso aqueles que eram muito jovens naquela época e são hoje desinformados pela propaganda dos "intervencionistas" ou aqueles que, mesmo sendo suficientemente adultos na época (estes têm hoje mais de 70 anos), foram vítimas da propaganda promovida pelo Estado de Exceção ou, coniventes, participaram das vantagens do poder.

Comemorar o golpe e a ditadura militar significa comemorar também a censura, os sequestros, as prisões, a tortura, os assassinatos e os desaparecimentos.

Sou contra ditaduras de qualquer tipo, sejam ditas de esquerda ou de direita. Não há diferença alguma entre a extrema esquerda e a extrema direita, a não ser na retórica. Por exemplo, o comportamento dos nazistas — ou fascistas — era o mesmo dos comunistas.


Leiam sobre a época do Regime Militar, amigos, em livros ou sites sérios e isentos. Este movimento revisionista da história do Regime Militar é nocivo, mas não é incomum. Sempre há quem queira reescrever a história ao seu modo. Até hoje há historiadores getulistas, que defendem o chamado Estado Novo!

Temos que aprender a resolver nossos problemas seriamente, sem ilusões, sem esconder os fatos reais sob o tapete colorido da propaganda. POVO ILUDIDO É POVO VENCIDO!

Sobre o movimento a favor da Intervenção Militar já me manifestei muitas vezes.

Vocês podem ler aqui (publicado em abril de 2017):

Neste artigo você encontrará "links" para outros três que são complementares.
                                              
Não vai haver intervenção militar. As Forças Armadas defendem o governo e conviveram muito bem sob o comando dos ministros da Defesa comunistas. O caso das medalhas de Honra ao Mérito ilustra bem esta afirmativa  (ver nota abaixo).
                                                            
Infelizmente sei de antemão que muitos nem vão ler os artigos aqui indicados e vão reagir impulsivamente me ofendendo.

Ofensas não são argumentos!

Se você concorda comigo, divulgue este artigo, porque os outros, pelo menos a grande maioria deles, vão descarregar todo o ódio sobre mim. Não me conhecem, nem vão ler o meu artigo, mas vão dizer que sou petista, esquerdista, idiota e por aí vai para pior! 

Enquanto eles me xingam, vocês que concordam, compartilham este texto.


𝓐𝓵𝓶𝓲𝓻 𝓠𝓾𝓲𝓽𝓮𝓼
Almir Quites

Nota sobre o caso das medalhas (ver imagem): 

Enquanto muitos, influenciados pelas redes sociais (recheadas de mentiras) sacralizam as Forças Armadas e se agarram a elas como um náufrago agarram a uma palhinha que flutua próxima. No entanto, lembro que elas são comandadas pelo Presidente da República, que seus comandantes tem estreita relação com os governantes e que são eles que decidem as promoções por merecimento. Isto fica evidente quando se observa o quadro de condecorações das Forças Armadas. 

Os ex-deputados José Genoíno (PT-SP), Valdemar da Costa Neto (PR-SP), José Dirceu (PT-SP) e Roberto Jefferson (PTB, presidente nacional) foram condecorados com diferentes graus e da Ordem do Mérito das Forcas Armadas do Brasil. José Genoíno, por exemplo, recebeu a Medalha da Vitória, a Ordem do Mérito Naval e a Medalha do Pacificador, enquanto João Paulo Cunha (PT-SP), Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Valdemar Costa Neto (PR-SP) foram agraciados com a Medalha do Pacificador. José Dirceu (PT-SP) recebeu o Grau de Grande Oficial. 

Os quatro foram condenados em 2013 no processo do Mensalão (Ação Penal 470) e foram presos.

Em março de 2015, o STF decidiu extinguir a pena de Genoíno com base no decreto de indulto de Natal editado pela presidente Dilma Rousseff no final de 2014. O mesmo ocorreu com Valdemar Costa Neto e José Dirceu em outubro de 2016. Roberto Jefferson obteve o perdão judicial em março de 2016.

Somente no segundo semestre 2016, após forte pressão do Ministério Público, os condenados José Dirceu, José Genoíno (PT-SP) Roberto e Valdemar da Costa Neto (PR-SP) foram oficialmente excluídos do quadro de medalhas. A cassação foi feita com a maior discrição possível (quase sigilo). Neste mesmo ano, o novo agraciado foi o Juiz Sérgio Moro.

Cabe ressaltar que a demora para cassar estas honrarias é injustificável, já que o Decreto n° 3446, do ano 2000, o qual manda cassar medalhas de condenado por crime contra o erário, foi ignorado pelos comandantes militares. 


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2 comentários:

  1. Discordo quando dizes que comemorar o 31 de março significa comemorar também censura, tortura, sequestros, mortes e desaparecimentos... Não isso não se comemora, embora eu hoje comemoraria mais se os militares da época em comando tivessem sido mais peitudos e tivessem fuzilado muitos dos que estão aí a roubar e atrapalhar o Brasil. Hoje se comemora que foi impedido a tomada do poder pelos comunas e que a partir disto o Brasil pode continuar a ser livre e democrático.

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  2. Discordo que o Golpe Militar de 1964 tenha impedido um Golpe Comunista. Se houvesse um Golpe Comunista naquela época teria que ser com as mesmas Forças Armadas que hoje dizem que o impediram. Estes discursos oportunistas e irresponsáveis confundem o povo brasileiro. Não havia nem mesmo organização camponesa com organização suficiente para obter apoio das Forças Armadas.

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