sexta-feira, 26 de setembro de 2014

EM 2010, O DEBATE ERA LULA VERSUS FHC

20/09/2014

O debate que é apresentado a seguir é verdadeiro. Ocorreu em novembro de 2010 pelas redes sociais.  Um debatedor, que apoiara a candidatura de Dilma Rousseff para presidente, argumentava que o Governo Lula reduzira a relação entre a dívida e o PIB (produto interno bruto) e que o crescimento da economia era maior que o do governo FHC, o qual, na visão dele, teria "vendido o Brasil para a iniciativa privada" (como se o Brasil se reduzisse ao Estado). O texto que se segue é a contestação do segundo debatedor.

Os nomes do grupo de debate e dos debatedores foram modificados para preservar o anonimato. Os "links" são da época e podem não funcionar mais.

Veja que os temas são atuais e demonstram que o governo do PT volta a cometer os mesmos erros que eram cometidos antes de FHC, o que nos coloca em sério risco.

É preciso relembrar o passado. O povo brasileiro costuma ignorar seu passado e não se preocupa com o futuro. Vive no limitadíssimo aqui e agora, crédulo e intoxicado pela propaganda. 

É preciso aprender com o passado. É por isso que este texto é importante.

Veja agora o texto da época em azul. Volto depois para comentá-lo e finalmente apresento um vídeo do próprio FHC falando sobre o Plano Real e dois vídeos do Lula, à época, comentando o referido plano.


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Florianópolis, 02/11/2010

Prezado Sr. Colligere

Obrigado por sua contestação que enriquece o debate.

Em primeiro lugar, notei que os números que o Sr. apresenta diferem daqueles apresentados pelo economista Waldir Serafim. A atual dívida interna, segundo o citado economista, é de 1,65 trilhão e não de 1,0 trilhão, como nos seus dados.

Em segundo lugar, passando agora a algo mais relevante, vejo que o Sr. introduziu no nosso debate a razão entre dívida e PIB. Esta análise não é assim tão simples. Lembro-lhe que, em março de 2007, o IBGE anunciou uma nova metodologia de cálculo, quando o PIB estava tendo uma queda acentuada. Pela nova metodologia, houve uma revisão retroativa ao início do governo Lula e os valores foram “corrigidos” para cima. Esta maquiagem do PIB melhorou significativamente os números do governo.

Pelos dados do atual governo, com os novos números, o Brasil, que era o 8º lugar mundial em 1998 e 15° em 2003, subiu para a 10ª posição em 2006 (com a nova metodologia de cálculo). Estar nesta posição, por si só, não seria motivo para o otimismo promovido pela propaganda governamental. Lembro-lhe que durante as décadas de 80 e 90, o Brasil sempre esteve entre as 10 maiores economias do mundo, permanecendo por muito tempo como a 8ª economia. O Brasil sempre foi reconhecido como uma grande economia e com grandes potencialidades.

Em terceiro lugar, ainda mais relevante, está a comparação com o Governo FHC. Quero somente chamar atenção para o fato de que estes números não podem ser julgados independentemente do contexto histórico e político da época. Devido às diferenças deste contexto, a missão do Governo FHC teria mesmo que ser diferente da missão do Governo Lula. O Governo FHC precisava salvar o Brasil da hiperinflação e reorganizá-lo, fortalecendo as instituições nacionais. Feito isso, aliás brilhantemente, cabia então ao Governo Lula manter as instituições e desenvolver a economia, o que não soube fazer.


Voltemos à seríssima crise que havia antes do Governo FHC.

Da
Crise do Petróleo
até o início dos anos 90, o Brasil viveu um período prolongado de instabilidade monetária e de recessão, com altíssimos índices de inflação (hiperinflação) combinados com arrocho salarial, aumento da dívida externa e crescimento econômico mixuruca, quase nulo. Na década de 1980, vários planos econômicos foram implantados, visando o controle da inflação, sem nenhum sucesso. O resultado foi o não pagamento de dívidas com credores internacionais (moratória), o que resultou em graves problemas econômicos que perdurariam por anos. Não foi por acaso que os anos da década de 80, na economia brasileira, ganharam o apelido de "década perdida". Em 1986 tivemos o Plano Cruzado, no Governo Sarney, e no ano seguinte o Plano Bresser. Já na década de 90, tivemos o Plano Collor 1, o Plano Collor 2 e o Plano Marcílio. Todos fracassaram. A inflação era retratada como um dragão invencível.

Certamente quem não viveu à época da hiperinflação não tem como entender a dimensão do desafio que foi ao Brasil derrotar o seu principal entrave ao crescimento. Só para dar uma ideia aos mais jovens, lembro que, no final do Governo Sarney, a inflação superou a taxa de 84 % ao mês


A cada plano econômico tentado, a inflação caia um pouco mas logo voltava mais forte. Os mais pobres eram os mais penalizados. O brasileiro aprendeu a gastar seu dinheiro imediatamente, porque se o guardasse no bolso, no dia seguinte já teria se desvalorizado quase 3%. Nesta época o brasileiro aprendeu a não poupar, aprendeu a gastar, mesmo comprando produtos supérfluos.

Foi Fernando Henrique Cardoso, FHC, começando como ministro da economia do Governo Itamar Franco, quem finalmente conseguiu domar o dragão inflacionário por meio do Plano Real. O controle da inflação não foi feito num passe de mágica, como tantos imaginam, no final do governo Itamar. Na verdade, o processo se estendeu por toda a era FHC e até o início do Governo Lula. Aliás, ainda hoje não se pode dizer que o processo esteja concluído, pois existem ainda mecanismos de indexação da economia resultantes da cultura inflacionária que, por falta de coragem do governo atual, ainda não foram completamente eliminados. Há também a persistente cultura da gastança, do crédito fácil a juros altos, do consumo de supérfluos etc., que o povo aprendeu naquela época e ainda não desaprendeu. Neste particular o governo atual dá péssimos exemplos.

O Plano Real e o rigoroso controle da inflação, além dos resultados positivos óbvios, também gerou graves problemas. Entre os resultados positivos, o mais visível foi, sem dúvida, a melhoria da distribuição de renda com o fim do chamado “imposto inflacionário”. Entre os negativos, o mais visível foi o processo de endividamento, principalmente a explosão da dívida interna. Entre 1989 e 1998, a dívida líquida dos estados e municípios alcançava 15% do PIB. Os governadores gastavam mais do que arrecadavam, sendo que a diferença era financiada por bancos estaduais. Lembram? Estes facilmente maquiavam os prejuízos na esteira do governo federal. O governo imprimia mais dinheiro e assim tirava sua receita da própria inflação, a custa do povo. Era uma transferência de recursos do bolso do povo (onde desvalorizava) para os cofres federais (onde ressurgia em cédulas novinhas). Com o fim da inflação, o endividamento dos bancos estaduais e dos estados se tornou drástico.

Para desativar a bomba relógio, em 1997, o Governo FHC aprovou a Lei de Responsabilidade Fiscal e, para aprová-la, comprometeu-se a assumir as dívidas dos estados e municípios. Outra medida saneadora foi o PROES (Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária), pelo qual o governo promoveu a privatização ou liquidação de bancos estaduais falidos. 


Uma penca de instituições faliu com o fim do “imposto inflacionário”. O governo federal assumiu também as dívidas e obrigações das entidades extintas ou privatizadas, como o Lloyd Brasileiro, a Rede Ferroviária Federal, a SUNAMAM, o Instituto do Açúcar e do Álcool. O governo FHC também assumiu as dívidas da Caixa Econômica Federal (CEF), que também falseava seus resultados apropriando-se do “imposto inflacionário”. Lembram-se das distorções criadas para os mutuários na época da inflação galopante pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH)? Havia milhões de brasileiros que tinham imóveis financiados pela Caixa Econômica Federal e, por mais que os pagassem, a dívida aumentava. Era matematicamente impossível pagar a dívida imobiliária. Nem a venda do imóvel a pagava!

Hoje os bancos estatais, como o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, estão muito bem, mas não é justo esquecer que para chegar a esta situação, tais bancos tiveram que ser saneados no Governo FHC, além de serem forçados a se adequarem a novos padrões de administração, assumindo riscos inexistentes no período inflacionário.

Com medidas deste quilate, absolutamente necessárias e corajosas, foram repassados para da dívida interna federal R$ 275 bilhões. Deve-se recordar ainda que, nesta época, o PT foi um entrave para o governo, por fazer oposição cega e irresponsável. É de se ressaltar ainda que a salvadora Lei de Responsabilidade Fiscal está atualmente sob forte campanha de prefeitos e governadores para que seja “flexibilizada”. Querem acabar com algo sério e importante que foi conquistado à duras penas e com alto custo público.

Lula perdeu uma grande chance de reduzir a dívida pública e a carga tributária, elevadas por FHC ao sanear o Brasil. Ao contrário, Lula aumentou ainda mais a carga tributária para suprir o aumento dos gastos públicos. Um grande risco é a supervalorização do real que está corroendo a sofisticada estrutura industrial brasileira. Dilma tem agora um sério dilema: ou repete a fórmula da demagogia, que é maléfica aos cofres públicos, ou adota uma política austera, expondo-se a ser achincalhada pelo próprio Lula.


Em minha opinião, vai se repetir a fórmula da demagogia. Parece-me que esta eleição presidencial trocou "seis por meia dúzia". Nada vai mudar no comportamento do governo. A incompetência de ambos os presidentes faz deles figuras apenas decorativas, com significado no imaginário popular, mas sem poder até mesmo para escolher seus ministros.

Saudações
amq

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Volto agora com considerações finais.

É bom reler o um texto de 4 anos atrás para não perder o foco da verdade histórica.


Em resumo, as ações meritórias do Governo FHC foram: as privatizações, o controle do gasto público, a negociação das dívidas dos estados, a ampliação do Ensino Superior privado, a abertura do mercado, o fim dos monopólios, a criação das agências reguladoras e, as mais importantes de todas, a estabilização econômica conquistada pelo Plano Real e a reorganização institucional do País.

Fernando Henrique Cardoso (FHC) foi um dos melhores presidentes do Brasil, talvez o melhor, pela árdua tarefa de salvar um país que estava muito doente, muito mal mesmo. No entanto, a máquina de triturar reputações, construída por políticos com a finalidade de eleger Lula, a qual ainda é atuante, fez e faz de tudo, com altos recursos financeiros, para apagar o passado e criar uma nova versão dos fatos. "Nunca antes nesse país", foi a frase torturantemente repetida para penetrar na mente do povo! O Brasil que aceita isso é simplesmente tolo... e ingrato! 


Antes de FHC o Brasil estava devastado, arrasado. O Estado controlava mais de 60% do PIB e sufocava a sociedade. Tínhamos uma Telebras cujas tarifas eram usadas para controlar a inflação! Isto é algo que lembra o momento atual. Parece que antes de FHC, como hoje, os governantes não sabiam que o combate à inflação se faz por meio da política monetária, pelo Banco Central, e não por meio de empresas geradoras e distribuidoras de energia ou de telefonia! 

Após a ascensão do PT, a propaganda governamental, feita com volumosos recursos públicos, fez o povo acreditar que Lula recebera, do Governo FHC, uma “herança maldita” e que o herói Lula fora o único responsável pela ascensão econômica das classes sociais “C” e “D”. Todos os méritos do Governo de Fernando Henrique Cardoso foram apagados da memória do povo, que hoje chega a acreditar que foi Lula quem conseguiu acabar com a hiperinflação. Isto mostra a desonestidade, a má-fé, do governo!

É verdade que o Governo Lula ampliou o programa Bolsa Família, mas o fez sob a ótica do plano de perpetuação no poder, do PT, tornando as famílias dependentes do Estado. Assim o governo simplesmente ignorou que o programa Bolsa Família precisa proporcionar a contínua mobilidade social. Por isso a concessão e manutenção das bolsas deveriam estar atreladas ao desempenho escolar dos filhos das famílias beneficiadas.

A ampliação da oferta de crédito no governo petista possibilitou o aumento do consumo, mas endividou as famílias. O governo ignorou que as famílias precisam aprender a poupar. Sem poupança, qualquer país se torna inviável. A recuperação do valor do salário mínimo, que se tornou possível depois do controle da inflação, mostra-se hoje ilusória, porque num país que progressivamente deixa de crescer, o salário mínimo míngua. O Brasil deixou de crescer.


O Partido dos Trabalhadores governa oficialmente o Brasil desde 2003, quando Lula foi eleito presidente. Em doze anos, nunca se viu tanto desmando, tanto descalabro, tantos desvios de verbas e de caráter, tanto desrespeito à Constituição nacional. O PT teve a proeza de banir da vida pública aqueles valores vistos, desde a Grécia clássica, como essenciais para o exercício da política: hombridade, competência, honra e honestidade. Se antes aqueles que se desviavam dessa linha-mestra eram vistos como abjetos desvios na vida política brasileira, hoje se transformou em linha-mestra. O exemplo mais claro é a sobrevivência do Mensalão

Foram, até aqui, 12 anos perdidos. 

Povo iludido é povo vencido!

Quanto maior o Estado, maior a corrupção.


Veja o próprio FHC falando sobre o Plano Real:
http://veja.abril.com.br/multimidia/video/plano-real-fhc

Veja o que dizia Lula sobre o Plano Real:
http://www.youtube.com/watch?v=5DAnu-Jyulk 

Veja mais aqui, sobre o que Lula dizia:
http://www.youtube.com/watch?v=5DAnu-Jyulk
 
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Veja também
1) O BRASIL ESTÁ POLITICAMENTE ESTAGNADO
2) REVOLTA CONTRA E-MAILS POLÍTICOS & ALIENAÇÃO

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