quinta-feira, 21 de agosto de 2014

AS PESQUISAS ELEITORAIS MERECEM CRÉDITO?

19/08/2014 - A. Quites

Ontem, assisti ao Roda Viva, da TV Cultura. O entrevistado foi Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, e o debate foi sobre a nova correlação de forças na eleição de 2014, agora com Marina e sem Eduardo Campos. O que vi e ouvi foi uma série de disparates. Parece-me óbvio que a pesquisa do Datafolha não fez as perguntas corretas e, por isso, ficou sem poder interpretar corretamente os resultados. Nesta hora de comoção pública ante a trágica morte de Eduardo Campos, as perguntas a serem feitas à população não poderiam ser como a simples "Em quem você votaria se a eleição fosse hoje?".
entrevistado do Roda Viva dizia e logo depois desdizia, aparentemente sem que ninguém, nem ele mesmo, percebessem as incongruências. Por exemplo: "Dilma tem muito maior percentual de rejeição" e, ao mesmo tempo, "Dilma tem a maior margem para crescimento". Diante da pergunta, "Como saber que uma pesquisa feita dois meses antes da eleição está certa, porque não há referências para confrontação e pode haver erros?" o entrevistado respondeu: "É pela coerência dos resultados, pela consistência dos dados e pela credibilidade do Instituto". Ora, se o resultado vai ser qualificado assim, então para que serve a pesquisa? Teria que haver um processo independente e diferente para confrontação dos resultados. Tem mais: ora dizem que "desempenho da economia é o fator mais decisivo"; logo depois dizem que "o eleitor não se preocupa com a economia do país". Dizem ainda que a pesquisa revela que "o povo quer mudança", mas (ora bolas!) "não querem mudar as pessoas do governo"

Estes foram apenas alguns exemplos. As afirmações são irresponsáveis e sem qualquer explicação mais consistente. Foi assim durante todo o tempo do programa. 

Há também as análises do tipo “meio copo vazio/cheio”. Ora o copo está quase vazio e ora quase cheio. 

Não adianta fazer pesquisas de opinião com perguntas cujo resultado dará margem a interpretações contraditórias.

Fica patente que a pesquisa não é feita para que o leitor/eleitor possa comparar, pesar e julgar as candidaturas. Elas não tratam das questões que seriam as relevantes para que um eleitor se decida.

Veja o programa Roda Viva, citado, na íntegra, aqui:

As interpretações que se fazem dos resultados são altamente questionáveis. Ao mesmo tempo, não dá para acreditar nos dados resultantes das pesquisas, porque não há controle independente dos procedimentos e nem mesmo da metodologia. 

Por outro lado, há várias decisões do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) suspendendo a divulgação de pesquisas eleitorais. Isto reforça a falta de credibilidade. Repito, na ânsia de ganhar repercussão social, a divulgação tem sido feita com dados inconsistentes e parecem servir para atender mais ao interesse de grupos políticos do que para esclarecer o cidadão. 

Não tenho qualquer dúvida de que as pesquisas também visam influenciar o eleitor. No caso da pesquisa em discussão, parece-me óbvio que há o interesse em fortalecer o voto útil, fazendo o eleitor acreditar que, para derrotar a Dilma, é preciso votar na Marina.

O quadro geral dos números das intenções de voto, desde meados de fevereiro deste ano, permanecia impressionantemente estático, ao contrário do que as manchetes davam a entender. Não houve mudanças significativas até a morte de Eduardo Campos. Todos os candidatos mantinham-se dentro da margem de erro, ainda que, há que se notar, o cálculo das margens de erro feito pelos institutos, de 2% a 4%, seja incorreto, pois a pesquisa utiliza metodologia de cotas, a qual não é puramente probabilística. Será que esta paralisia do eleitor realmente existiu? Confesso que cheguei a pensar que, de fato, o que não mudava era a estratégia traçada para influencia o eleitor e não o ânimo do eleitor.

O acidente que matou Eduardo Campos foi confirmado por volta do meio-dia. Na mesma tarde, o Datafolha preparou as perguntas para a pesquisa sobre quem herdaria o espólio eleitoral de Campos, para ser divulgada dois dias depois. Esta pressa já mostra que o motor que move a pesquisa não é só a busca da verdade. A manipulação do público eleitor é parte importante do processo.

Veja aqui o que ocorreu recentemente no Rio Grande do Sul:

Acho que devemos começar a questionar as pesquisas de opinião tal como já faço em relação as urnas eletrônicas. 

Por que não são feitas e divulgadas outras pesquisas, que sejam independentes da grande mídia e dos partidos políticos?

O tema é controverso por duas razões: uma é a complexidade técnica do assunto, e outro devido às discordâncias sobre a metodologia entre alguns estatísticos independentes e acadêmicos, de um lado, e estatísticos dos institutos e sociólogos, do outro. 

Para o estatístico José Ferreira de Carvalho, professor aposentado da Unicamp e livre docente pela USP, os institutos se valem de uma “amostragem não probabilística", ou seja, a maneira pela qual os entrevistados são encontrados recai sob o julgamento do pesquisador e não sob uma forma totalmente aleatória. Isso ocorre porque é mais rápido, mais barato e fácil do que realizar uma “amostragem probabilística”, na qual cada eleitor teria a mesma probabilidade de ser selecionado. Assim, por exemplo, para preencher a quota de, digamos, 2.000 eleitores consultados, o entrevistador seria enviado para um lugar na cidade onde seria mais fácil encontrar certo tipo de pessoa buscada - faixa etária, gênero, escolaridade etc. Essa metodologia ocasiona um grande problema na margem de erro da pesquisa (aquele dado que diz, por exemplo, 2 pontos percentuais para mais ou para menos), a qual, assim, não pode ser estipulada com precisão, constituindo um grave erro estatístico. O erro é maior do que é anunciado.

Outro grande problema consiste no aval da Justiça Eleitoral às pesquisas. Para o prof. José  Freitas Carvalho, "o fato de os tribunais registrarem as pesquisas faz com que sejam cúmplice do mal feito”. 


É claro que, há vezes em que os institutos acertam resultados das eleições (sem contar a boca de urna que é diferente), mas isso não é prova suficiente nem motivo para que as pesquisas continuem sendo divulgados. O fato é que elas têm muitos efeitos no processo eleitoral. Um dos grandes males das pesquisas é que induzem o eleitor de diversas formas, como no direcionamento ao voto útil, por exemplo. É difícil julgar o grau de intencionalidade desta manipulação.

leia mais sobre isto aqui: http://www.contextolivre.com.br/2014/09/pesquisas-eleitorais-contem-problemas.html

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