quinta-feira, 27 de março de 2014

A CARTILHA COMUNISTA

Almir Quites 27/03/2014

Lá, bem no início da década de 1960, estava eu começando minha formação superior, recém-ingresso na URGS (hoje UFRGS). Naquela época, estávamos no auge da chamada GUERRA FRIA. Nos EUA, o presidente Kennedy estava às voltas com a invasão da Baia dos Porcos e a questão dos mísseis nucleares que a Rússia havia instalado em Cuba.

Foi quando conheci colegas politicamente engajados, alguns comunistas e outros do antigo PTB. Até andei participando de reuniões promovidas pelo diretório acadêmico. Naquela ocasião, quase aderi à ideia de uma sociedade sem classes, na qual o Estado proveria tudo aos cidadãos, conforme as suas necessidades individuais. Parecia tratar-se da sociedade ideal. Claro que foi um sonho que a realidade logo matou, pois então percebi que a própria ideia de comunismo é incompatível com a diversidade da natureza humana. A ideologia, que parecia linda, sempre leva a sociedades nas quais um partido único toma conta do Estado e decide arbitrariamente sobre as tais necessidades de cada um.

Bem, volto a minha história.

Certo dia, lá no Centro Acadêmico (na URGS), recebi uma cartilha que ensinava "como que um comunista deve se comportar no cotidiano". Lembro-me bem desta cartilha até hoje. Fiquei tão horrorizado com ela que nunca mais participei de política estudantil. A cartilha tratava o militante como um débil mental, como alguém cujo cérebro já estivesse definitivamente destruído pelo fanatismo. Por exemplo, num dos itens estava escrito assim: "Quando um comunista presencia um acidente automobilístico, o que deve fazer?". Logo em seguida, vinha a resposta: "O comunista deve observar os dois carros para identificar qual o motorista mais rico, então deve acusar o mais rico como culpado pelo acidente". Vejam a que absurdo se chegava. Os fatos reais não importavam, nem a possível injustiça! O mais rico seria o culpado, porque assim já estava decidido pelo Partido.

Por que me lembrei deste caso e por que o conto agora? Porque vejo novamente este comportamento. Será que consta de alguma cartilha de hoje? Se houver um confronto entre a polícia e um bando qualquer, sempre a polícia será a culpada! Não importam os fatos reais, não importa o que o bando estava fazendo. O Partido já decidiu que a polícia é sempre a culpada.

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