quinta-feira, 13 de março de 2014

DIREITA OU ESQUERDA?

Texto originalmente postado no debate da associaçao de professores da UFSC
Autor: Almir Quites

Direita? Esquerda? Jovens que não conhecem o significado político destes termos são cooptados para um ou outro lado sem entender em que estão se metendo.
Muitos se acusam mutuamente e não sabem bem o que estes termos significam em política. Há dois aspectos a considerar:
    (a) há o conceito da ciência política e
    (b) há o conceito prático, dos conflitos do cotidiano.


Pretendo abordar estes temas desconsiderando as ideologias porque elas são expedientes locais para idealizar os verdadeiros e inconfessáveis objetivos. Neste sentido, estou alinhado com Karl Marx e Friedrich Engels, que definiam Ideologia como o “Conjunto de idéias que procura ocultar a sua própria origem nos interesses sociais de um grupo particular da sociedade".

Vamos esclarecer estes dois aspectos, começando pelo item (a): o conceito teórico de Direita e Esquerda em política.

Teoricamente Direita Política é uma forma de designar uma visão que aceita ou apoia a hierarquia social ou a desigualdade social. A hierarquia social e/ou a desigualdade social são vistas, pelos “de direita”, como inevitáveis, naturais ou mesmo desejáveis, neste último caso, por exemplo, devido à competição nas economias de mercado. Ser "de direita" ou "de esquerda" não é demérito para ninguém. Há situações e/ou épocas em que é mais correto ser "de direita" e outras "de esquerda". Tudo depende da filosofia pessoal de cada um e também do contexto político do momento.

Rápidamente, de passagem apenas, esclareço que é preciso não confundir "ser de direita" com "ser conservador". O conservadorismo é um termo usado para descrever campos político-filosóficos, mais favoráveis à transformação graduais, que se contrapõem a mudanças abruptas, revolucionárias, seja na economia, na política ou em qualquer outro sistema, inclusive de usos e costumes de uma sociedade. É errado usar estes dois termos como se ambos fossem sinônimos, o que, infelizmente é o mais comum. Analogamente, não confundir com capitalista, liberalista, neo capitalista ou neo liberalista.
Passo agora ao item (b): o significado prático e mais corriqueiro dos termos Direita e Esquerda em política, o conceito do cotidiano.

O uso prático, do dia-a-dia, destes conceitos na vida política exprimem um fenômeno sociológico que surge como um confronto entre duas facções que se opõem, entendidas como se fossem similares às torcidas de diferentes times de futebol ou de escolas de samba, por vezes, orientadas pela violência verbal ou, até mesmo, pela violência física contra os torcedores rivais. Isto pode ser agravado pelos processos históricos e estruturais inerentes à sociabilidade dos envolvidos, podendo gerar sérios conflitos entre grupos e até entre nações. Nestes casos, a Política está sendo entendida como um jogo tipo perde-ganha. Contudo Política não não devia ser entendida como um jogo, muito menos um jogo de futebol.

Política é arte ou a ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados e também a aplicação desta ciência aos assuntos internos da nação (política interna) ou aos assuntos externos (política externa). Lamentavelmente a grande maioria dos políticos só entende a política como um jogo. A Política só se torna um jogo porque, na prática diária, cada facção tenta se impor à outra por meios ardilosos e agressivos.

Os mais jovens nem desconfiam que a atual tensão existente no Brasil entre Direita e Esquerda, assim como em outras partes do mundo, vem de muito, muito longe no tempo. Por exemplo, há quase 80 anos atrás houve uma tentativa de golpe da Esquerda contra o governo de Getúlio Vargas, com apoio financeiro e logístico da Rússia, conhecida como Intentona Comunista ou como Revolta Vermelha (1935), organizada pelo PCB (na época, Partido Comunista do Brasil) e liderada por Luís Carlos Prestes (ver mais aqui). No entanto, o conflito Direita x Esquerda recrudesceu há cerca de 70 anos, com o início da chamada Guerra Fria, designação atribuída ao período histórico de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética, compreendendo o período entre o final da Segunda Guerra Mundial (1945) e a extinção da União Soviética (1991). O bloco dos Estados Unidos era dito "de direita", enquanto o bloco da União Soviética era dito ser "de esquerda", ou seja, partiria do princípio da igualdade social e do comunismo. No bloco da Esquerda as desigualdades sociais são vistas como nefastas, resultado da exploração de uns por outros. Sem entender nada disso, os jovens brasileiros tem se filiado a estas correntes do mesmo modo que um torcedor de um time de futebol. Assim, correm o risco de se tornarem "inocentes úteis", militantes a serviço de políticos inescrupulosos. 

A Guerra Fria foi uma disputa entre o bloco de países que apoiavam a iniciativa individual, a propriedade privada e as liberdades civis, como a liberdade de opinião, de expressão e de voto, e o bloco de países que apoiavam a ideologia comunista, que pretendia promover o estabelecimento de uma sociedade igualitária, sem classes sociais e apátrida, baseada na propriedade comum, no controle dos meios de produção e da propriedade em geral. Idealmente, neste bloco, ninguém teria direito a possuir propriedade privada. Para a instalação da sociedade comunista, numa primeira fase, a propriedade privada deveria ser estatizada, sendo o Estado gerido por um Partido político único, que se encarregaria de distribuir de forma igualitária a riqueza gerada por todos. Numa segunda fase, o Estado seria abolido, sendo o poder entregue ao povo. Pura ilusão! O que de fato aconteceu em todos os países comunistas foi a existência de cruéis ditaduras que nunca cogitaram de passar à dita segunda fase. Como seria? Não se sabe. Nunca se saberá!

Esta disputa era chamada de "Guerra Fria" porque não havia um conflito bélico generalizado, como na Segunda Guerra Mundial, ou seja, não havia uma "Guerra Quente" entre as duas superpotências da época, dada a inviabilidade da vitória de uma sobre a outra em uma batalha nuclear. Ambos os lados se destruiriam. As duas superpotências passaram a disputar poder de influência política, econômica e ideológica em todo o mundo.

Repito, para enfatizar: a Guerra Fria afetou todo o mundo. Eram poucos os países não alinhados a uma das duas grandes potências mundiais. Os símbolos da Esquerda tinham as cores da União Soviética: o predominante vermelho com o amarelo e branco para contrastes. Os símbolos da Direita tinham as cores dos Estados Unidos: o predominante azul com o branco e vermelho para contrastes.

Após a Segunda Guerra Mundial, o Brasil ficou do lado norte-americano. Isto desencadeou um aumento nas relações comerciais entre os dois países. O Brasil só entrou em conflito com os Estados Unidos durante os sete meses de governo do Presidente Jânio Quadros. Jânio inaugurou o que chamava de “política externa independente”, reatando relações diplomáticas com países comunistas, como a China e a União Soviética. Assim, o conflito entre Direita e Esquerda recrudesceu. A renúncia de Jânio Quadros à Presidência da República criou uma grave situação de instabilidade política. A política brasileira estava dividida e a luta era intensa entre os que eram pró União Soviética e os que eram pró EEUU. João Goulart (Jango), que era vice-presidente de Jânio, estava na China Comunista e a Constituição estabelecia que o ele deveria assumir o governo no Brasil. Porém, os ministros militares se opuseram à sua posse, pois viam nele uma ameaça ao país, por seus vínculos com políticos do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Há historiadores que mostram que Cuba já financiava e treinava guerrilheiros brasileiros naquela época (ver aqui). Porém não havia unanimidade nas altas esferas militares sobre o veto a Jango. Em 1961, Goulart foi autorizado a assumir o cargo, sob um acordo que diminuiu seus poderes como presidente pela instalação do regime parlamentarista.
No panorama internacional a crise alcançou seu climax em 1962, quando os soviéticos instalaram mísseis nucleares em Cuba e dali poderiam bombardear qualquer parte do território dos Estados Unidos. O mundo esteve à beira de um conflito nuclear generalizado.

No Brasil, quando, em 1963, João Goulart readquiriu os poderes do presidencialismo e passou a defender as chamadas "reformas de base", o controle dos capitais estrangeiros e a estatização de empresas privadas, em seus discursos políticos. Tornou-se evidente que ele iria procurar implementar políticas "de esquerda", tendo o Congresso sob seu total controle. Mas Jango era incapaz de governar sob o regime presidencialista. Pressionado por todos, acabou se tornando joguete das forças radicais de esquerda que pretendiam a comunização do país. O próprio cunhado, Leonel Brizola, então deputado federal, influenciava demais o Presidente. Registrou-se então um avanço ainda maior das esquerdas nas eleições parlamentares. Brizola passou a organizar "células" à maneira dos sovietes, dando-lhes a o nome de "Grupo dos Onze", menção ao número de pessoas por célula.

Na época, a sociedade brasileira tornou-se profundamente polarizada, devido ao temor de que o Brasil se juntasse à Cuba como parte do bloco comunista na América Latina sob o comando de Goulart. Políticos influentes, como Carlos Lacerda e Juscelino Kubitschek, bem como organizações como a Igreja Católica, os latifundiários, os empresários e grande parte da classe média pediam uma revolução preventiva ("contra-revolução") por parte das Forças Armadas para remover o governo de esquerda.

Assim a tensão entre Direita e Esquerda, própria da Guerra Fria, chegou aos mais intensos níveis também no Brasil.
A Esquerda se fortificava preparando-se para um confronto de proporções maiores. No setor trabalhista, fundou-se a CNTI-Confederação Nacional dos trabalhadores da Indústria, cuja função era promover greves e acirrar os conflitos trabalhistas. Na área governamental, uma lei delegada criara a Superintendência de Reforma Agrária  (SUPRA) e o deputado federal Francisco Julião iniciou o movimento das Ligas Camponesas que, partindo do nordeste, se expandiu para o norte e para o centro-oeste. Surgiram conflitos entre camponeses e latifundiários, com invasões de terras e uma luta armada entre os "sem-terra" e jagunços, com mortes constantes de um e outro lado. Aumentou o questionamento no setor estudantil, já organizado em torno da UNE-União Nacional de Estudantes, presidida primeiro por Aldo Arantes (1961-1962), hoje no PCdoB, e depois por José Serra (1963-1964), hoje no PSDB. A UNE percorria o país, mantendo debates políticos com a classe estudantil e encenava peças de conteúdo revolucionário, com vistas ao sucesso da revolução cubana. Grupos paramilitares surgiram em São Paulo sob as vistas grossas do governo, um deles com uniforme que se confundia com o fardamento da Aeronáutica.

A Direita também se preparava. No Rio de Janeiro, o general Golberi do Couto e Silva criou o IPES-Instituto de Pesquisas Econômico-Sociais, cuja função oculta era conspirar contra o governo. Com o mesmo intuito, formou-se o IBAD-Instituto Brasileiro de Ação Democrática, desenvolveu-se a Ação Democrática Parlamentar, formada pela UDN e PSD, e tantos outros agrupamentos que discutiam e agiam no sentido de derrubar Jango do governo.
O povo tomava posição, uns à Direita, outros à Esquerda, mas obviamente o povo não entendia o que se passava. Em política nada é como o povo pensa que é! Assim, de um lado e de outro, armavam-se os espíritos, formava-se uma tempestade política e social.

Em 31 de março de 1964, o Presidente João Goulart foi deposto, os militares assumiram o poder e Jango fugiu para o Uruguai. Apesar das promessas de imediata devolução do poder aos civis, o que ocorreu foi a implantação de uma ditadura militar que durou 21 anos. AS forças armadas traíram a nação brasileira. A Constituição de 1946 foi substituída pela Constituição de 1967, e, ao mesmo tempo, ocorreram a dissolução do Congresso Nacional, a supressão de liberdades individuais e a criação de um código de processo penal militar que permitiu que o Exército brasileiro e a polícia militar do Brasil pudessem prender e encarcerar pessoas consideradas suspeitas, além de impossibilitar qualquer revisão judicial. Carlos Lacerda e Juscelino Kubitschek passaram a fazer oposição ao governo militar. Mesmo assim, a popularidade do governo militar crescia. A ditadura atingiu o auge de sua popularidade na década de 1970, com o "Milagre Brasileiro" (período de excepcional crescimento econômico), no mesmo momento em que o regime censurava todos os meios de comunicação, torturava e exilava dissidentes (os anos de chumbo). O povo? Ah, o povo apoiava a ditadura como sempre faz! O povo sempre é manipulado facilmente pelas ditaduras. Mas isto não dura indefinidamente.

Foi então necessária uma enorme mobilização popular para conseguir, às duras penas, exigir o fim da ditadura. Nesta época todos passaram, pouco a pouco, a se unir às esquerdas, porque o mais importante era afastar os militares do poder. As ideologias da Guerra Fria ficaram então em segundo plano. Na década de 1980, assim como outros regimes militares latino-americanos, a ditadura brasileira entrou em decadência e o governo não conseguia mais estimular a economia e diminuir a inflação crônica, o que deu impulso ao movimento pró-democracia. O governo aprovou uma Lei de Anistia para os crimes políticos cometidos pelo e contra o regime, as restrições às liberdades civis foram relaxadas e, então, realizaram-se eleições presidenciais em 1984, com candidatos civis. Com a promulgação da Constituição de 1988, o Brasil voltou à democracia e os militares mantiveram-se sem qualquer papel político relevante até hoje.

Neste interim a o Império Soviético se estraçalhou. O termo informal "Império Soviético" se refere ao conjunto de países que estavam sob a influência direta da União Soviética. O número total de países que viviam sob o domínio soviético (Pacto de Varsóvia) variou com o tempo entre 15 e 40 países. O enfraquecimento do governo da União Soviética causou a queda do Muro de Berlin e uma série de eventos que terminaram por causar a dissolução da União Soviética, num processo gradual de deteriorização interna que ocorreu durante dois anos (1990 e 1991).
Os países que compunham o Império Soviético eram explorados pela Rússia. Os povos já não suportavam a opressão, a economia do todo entrou em colapso. A Guerra Fria, enfim acabara!

A Guerra Fria acabou, mas há brasas querendo reacender a fogueira, inclusive aqui, na América Latina e no Leste Europeu, onde a Rússia ainda sonha com uma volta ao passado.

O que está acontecendo aqui? 

Com a queda da União soviética, alguns políticos de esquerda da América Latina imaginaram criar por aqui um império nos moldes da ex-União Soviética. A ideia era começar com um grande congresso, o qual foi acertado para ocorrer na cidade de São Paulo. Por isso, este congresso é hoje conhecido como Foro de São Paulo (FSP), embora os encontros sejam sempre em países diferentes. Consta que a idéia deste foro surgiu em julho de 1990, durante uma visita feita por Fidel Castro a Lula, em São Bernardo do Campo, e foi formalizada quando 48 organizações, partidos e frentes de esquerda da América Latina e do Caribe, atenderam ao convite do Partido dos Trabalhadores (PT). Reuniram-se na cidade de São Paulo para debater a nova conjuntura internacional pós-queda do Muro de Berlim (1989), elaborar estratégias para defender o comunismo de Cuba e unir as forças de esquerda latino-americanas como uma "alternativa popular e democrática ao neoliberalismo". Entretanto, o objetivo estratégico real é o de recuperar, no comunismo da América Latina, tudo o que fora perdido no Leste europeu, após a queda do Muro de Berlim. É a reconstrução da Internacional Comunista, conforme indica a análise comportamental dos atores latino-americanos.
Lula chegou à presidência do Brasil em 2003. Desde então a política externa brasileira mudou para um alinhamento entre Brasil, Venezuela e Cuba, no sentido de ampliar as influências da chamada "Aliança Bolivariana". Tal alinhamento estabeleceu uma política de cunho ideológico, iniciada por Lula e seguida por Dilma, nascida dentro do Foro de São Paulo, que fere a soberania brasileira por não ter sido exposta claramente nas campanhas eleitorais e por não ter sido aprovada pelo Congresso Nacional. Ao submeter o interesse nacional a interesses estrangeiros, esta aliança renega os princípios constitucionais de independência, de não intervenção e de autodeterminação. Até o MERCOSUL ficou submisso ao FSP.

Como presidente do Brasil, Lula adotou uma política de favorecimento aos demais países partícipes do foro, conforme acordos realizados dentro do próprio foro e sem aprovação do Congresso, segundo declarações do próprio Lula. Portanto, estes acordos são ilegais. Assim, Lula desenvolveu a diplomacia ditada pelo FSP, o que levou à defesa incondicional da ditadura socialista-bolivariano de Hugo Chávez, na Venezuela, ao apoio a Evo Morales, na Bolívia (mesmo quando esta se apossou da refinaria da Petrobrás) como também à Rafael Correa, do Equador, às relações sempre especiais com a tirania cubana, à resistência do Brasil à deposição legal do presidente hondurenho Manuel Zelaya, à ilegal manobra de exclusão do Paraguai do MERCOSUL e à (in)consequente inclusão da Venezuela. Estes são todos fatos políticos que fazem parte do alinhamento e dos acordos, nem sempre declarados, do PT com o Foro.

Há muito recurso público sendo usado como combustível para reacender a Guerra Fria, tanto aqui na América latina, como no Leste Europeu.

Você é de Direita ou de esquerda?

Almir Quites

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COMENTÁRIOS:

Prezado Quites:
A esquerda é bem mais complexa e profunda do que a história nos conta. Solicitaria que você enviasse este texto abaixo ao seu sobrinho neto. Não são textos meus (estou sem tempo para isto), mas refletem o que eu penso (em particular as partes grifadas)
"Ser de esquerda, hoje, é defender os direitos dos mais pobres, condenar a prevalência do capital sobre os direitos humanos, advogar uma sociedade onde haja, estruturalmente, partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano". Frei Beto
"Política de esquerda descreve uma visão ou posição específica que aceita ou suporta igualdade social,  envolvendo uma preocupação com os cidadãos que são considerados em desvantagem em relação aos outros e uma suposição de que há desigualdades injustificadas que devem ser reduzidas ou abolidas. Atualmente o termo "esquerda" tem sido usado para descrever uma vasta família de movimentos, incluindo o movimentos pelos direitos civis, movimentos anti-guerra e movimentos ambientalistas.
O espectro da esquerda política varia da centro-esquerda à extrema-esquerda.  Os termos extrema-esquerda e ultra-esquerda se referem a posições mais radicais, como os grupos ligados ao trotskismo e comunismo de conselhos. Dentre os grupos de centro-esquerda estão os trabalhistas, os social-democratas, progressistas e também alguns socialistas democráticos e ambientalistas (em particular eco-socialistas), esses no sentido tradicional. A centro-esquerda aceita a alocação de recursos no mercado de uma economia mista, com um setor público significativo e um setor privado próspero. O conceito de esquerda política, não deve ser confundido com o de "esquerdismo", termo usado por Lênin no ensaio Esquerdismo, doença infantil do comunismo (1920) para designar as correntes oposicionistas dentro da Terceira Internacional, que defendiam a revolução pela ação direta do proletariado, sem a mediação de partidos políticos e sindicatos ou que recusavam a via parlamentar, as alianças do partido comunista com outros partidos progressistas visando a participação em "eleições burguesas". Quase nenhum dos partidos de esquerda atualmente existentes é "esquerdista" nesse sentido".
http://pt.wikipedia.org/wiki/Esquerda_pol%C3%ADtica
Abraços,
Paulo
Em 10/03/2014 11:13
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A frase do Frei Beto, abaixo, é ideológica:
"Ser de esquerda, hoje, é defender os direitos dos mais pobres, condenar a prevalência do capital sobre os direitos humanos, advogar uma sociedade onde haja, estruturalmente, partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano". Frei Beto
Esta é a definição da Esquerda para si mesma. Parte da presunção maluca de que a Esquerda é a exclusiva dona da virtude: "Nós somos os bons, os demais são os maus"; "quem é bom é de Esquerda".

Como expliquei bem no início do artigo, eu tentei evitar conceitos advindos das ideologias,  porque elas são expedientes locais para idealizar os verdadeiros e inconfessáveis objetivos. Neste sentido, como afirmei, estou alinhado com Karl Marx e Friedrich Engels, que definiam Ideologia como o “Conjunto de idéias que procura ocultar a sua própria origem nos interesses sociais de um grupo particular da sociedade".
A. Quites
Em 11/03/2014 12:47
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Prezado Quites
lendo esta frase brilhante, alguém pode se perguntar: de onde vem estes bens para partilhar, do céu, do governo?
Ou seja, não se fala  em trabalhar e produzir, só dividir o que foi produzido e garantir os direitos dos pobres, mas os ricos e os mais ou menos,  não tem direitos ? E os deveres  ? Que beleza!
Abraços
Joceli
Em 2014-03-11 12:47
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Não vou defender o Frei Beto ou a sua ideologia.
Mas concordo com as partes grifadas do seu texto e vou expor aqui o que eu penso delas.
a) Defender os direitos dos mais pobres.
Que direitos são estes?... o direito à educação, à saúde e à moradia. Observem que eu não estou falando em cotas, benesses ou privilégios: apenas em direitos. E estes direitos também incluem o direito ao trabalho e à uma vida digna. O desemprego ou o sub-emprego em uma sociedade é uma questão social que precisa de uma solução de Estado. D´outra forma ele gera inconformismo e violência. Também não estou defendendo o traficante, mas o tráfico está sendo uma solução para quem vive na miséria. Para os filhos e netos de quem foi obrigado a sair com a sua família dos Campos de Lages, porque ali não tinha mais  serventia nas fazendas (que viraram hotéis) e veio para a Capital do Estado em busca de emprego na construção civil (como servente de pedreiro). E também não estou defendendo que "defender os direitos dos mais pobres" seja um "privilégio" da esquerda. É, sim, uma bandeira da esquerda que podia ser também da direita caso ela (a brasileira) soubesse usar os neurônios que tem na cabeça (como na Suécia, por exemplo).
b) condenar a prevalência do capital sobre os direitos humanos
Quase tudo ou muito mais do que escrevi acima. Mas deixo isto para um próximo e-mail.
Abraços,
Paulo
Em 11/03/2014 16:18
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Nos USA os partidos (Democrata e Republicano) são de direita e/ou esquerda? A UE tem mais países com governos de direita e/ou esquerda? E o governo na atual Rússia, onde aproximadamente 49% dos cidadãos são considerados pobres? E na China? Japão? Índia? Lembram da "globalização"? Quem produz mais, fatura mais, arrecada mais... podendo oferecer melhor qualidade de vida para seus cidadãos. Ou seja, a Suécia e o Japão socializam "melhor do que" muitos países que se dizem socialistas... E a Venezuela? Cuba? Como anda a qualidade de vida na Coréia do Norte?
Carlos
2014-03-11 22:04
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Eu e a maioria das pessoas do planeta aceitam e defendem o direito dos mais pobres, dos arremediados, dos melhorzinhos, dos meio ricos, dos ricos, dos bem ricos, dos podres de ricos, pois DIREITO é DIREITO.
Mas quem é que não defende os direitos de todos ?
Quem não quer um País em que todos tenham as mesmas oportunidades, mesmos direitos e deveres ?
Quem seriam os beneficiários de um Estado de Exceção ?
Entendo que o ESTADO (e não um determinado governo de um partido só) tem a OBRIGAÇÃO de oferecer boa educação, segurança, saúde, transporte a TODOS.
Mas talvez alguns entendam que tem "direito à emprego" ou "direito à riqueza", infelizmente não.
Muitos países prósperos, como os EUA, passam por períodos difíceis (incompetência administrativa do governo e/ou economia mal gerida) e a taxa de desemprego cresce  muito.
Empregos e riqueza não dependem de ideologia política, dependem de uma boa ADMINISTRAÇÃO por parte do GOVERNO. E isso meu caro, é um mito nestas paragens, pois os picaretas de plantão só sabem distribuir "cestas alimentares", só isso. Ou seja, soluções casuísticas, temporais, de excessão, mas nada de solução duradoura e real para TODOS. Só confete.
Joceli
2014-03-11
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O direito dos ricos
Há um matemático de Boston, bem conservador e nada 'de esquerda', que mostrou que em um sistema isolado, baseado sobre uma economia de livre mercado (sem qualquer presença controladora do Estado), há uma tendência das riquezas se concentrarem sobre poucos atores, gerando singularidades no sistema. Em seu modelo, não há nada que distinga um ator de outro e em sua condição inicial as riquezas estão distribuídas homogeneamente. Mas quando a simulação é feita, uma vez que se forme (ao acaso) uma maior concentração em um ponto do sistema, esta ocorrência faz com que esta concentração aumente naquele ponto e não se disperse sobre o resto. 
Ao contrário do que ocorre em sistemas físicos que são regidos pela segunda lei da termodinâmica e pelo aumento da entropia e que tendem ao equilíbrio no tempo.
O que isto tem de verdade eu não sei (...nada entendo de economia).
O que eu sei é que, ao menos aqui no Brasil, se você tem 10 milhões em um banco, o gerente deste banco acaba dando um jeito de fazer as suas aplicações renderem bem mais do que as outras (...as dos ´normais´).
Quando ele não faz isto  você muda de banco.
E o banco precisa "viver"...não é mesmo?...
Abraços,
Paulo
Em 11/03/2014 23:24
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sem leis de controle de "anti-trust" e sem regulações de mercado a concorrência desleal irá inevitavelmente criar a exploração do homem pelo homem no capitalismo selvagem. Os bancos "relaxaram" nas regras e a bolha imobiliária quase derrubou a economia mundial. Em uma nação onde as regras são claras, os encargos para contratação são razoáveis, com incentivo ao empreendedorismo, existirá um ambiente próspero rico e gerador de empregos bem remunerados.  A frase do Frei Beto deixa muito claro que as ditas esquerdas demonizam o capital e a riqueza, e vizam, mas não dizem isso claramente, que TODOS sejam igualmente pobres, num ambiente em que a riqueza é considerada "pecado capital".  Como se riqueza fosse um bem não- renovável e que somente alguns tem acesso. Obviamente querem um povo submisso e pobre, é mais fácil, senão as "cestas alimentares" perdem valor de mercado, certo ?
E como tem gente que acredita e propala estas besteiras que o mal do mundo está no capitalismo. Mas respeito a "fé" de todos, mas estes deviam se mudar para Cuba ou Venezuela, ou só querem dar uma de esquerda festiva ?
Joceli
Em 2014-03-12 7:39
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Paulo
Sobre os investimentos "sociais" da esquerda que "aceita" o capital, mas para onde vai este capital ?
"Depois do constrangimento na abertura da Copa das Confederações de 2013, quando vaias ecoaram durante a fala da presidente Dilma Rousseff e do presidente da Fifa, Joseph Blatter, o dirigente suíço afirmou, à agência de notícias alemã DPA, que a cerimônia inaugural da Copa do Mundo não terá discursos."
Joceli
2014-03-12 9:16
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Acho que estamos falando de coisas diferentes. Eu estou falando da esquerda e você está falando do PT e das "cagadas" do PT no governo (as "arenas" e a copa do mundo foi uma delas...uma diarréia que, certamente, irá comprometer a sucessão).
Abraços,
Paulo
Em 12/03/2014 10:43
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Um colega da lista já elucidou o destino deste investimento social:
http://marciovianadesouza.jusbrasil.com.br/artigos/113785104/quem-precisa-da-copa-do-mundo?utm_campaign=newsletter&utm_medium=email&utm_source=newsletter
Joceli
2014-03-12 10:43
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Paulo
então quando um governo refém da esquerda petista comete um "eventual" deslize, este governo deixa de ser de esquerda ? Este papo esquerda/direita está mais confuso do que turista brasileiro dirigindo em Londres.
Joceli
2014-03-12 10:48
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Joceli:
Eu só defendo a esquerda (...ou a ideia da esquerda) e não o PT (...ou partidos em geral).
Se é o PT que você quer discutir, bom, ai é uma outra história, na qual não tenho vontade alguma de participar.
Partidos se fazem e desfazem (especialmente no Brasil).
As ideias ficam.
Abraços,
Paulo
Em 12/03/2014 10:54
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Paulo
perdão por trazer a tona as provas de conceito.
Aparentemente o que se vê hoje no Brasil em Cuba, Venezuela, União Soviética, etc, foram implementações imperfeitas de um "conceito perfeito". Mas como as idéias ficam, vão continuar implementando ...
Abraço
Joceli
2014-03-12 11:14
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entendo, e o PT até que tem boas intenções. Por exemplo,  nesta terça feira a bancada do PT tentou bloquear a investigação de irregularidades na Petrobrás para evitar "queimar" a imagem da Petrobrás, mas os deputados da "direita reacionária" não concordaram com a nobre intenção:
http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/03/blocao-derrota-governo-e-aprova-comissao-para-investigar-petrobras.html
Joceli
2014-03-12 11:14
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Sobre o assunto mencionado abaixo. Um professor da "Peoples' Friendship University of Russia" me informou que após apenas 23 anos da dissolução da União Soviética o percentual de pobres na Rússia passou de 1,5% para aproximadamente 49% e que Moscou passou a ter um número maior de ricos do que Nova Iorque.
Carlos
2014-03-12
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Pois é.
Me surpreendeu que o paraíso soviético tinha 1,5 % de pobres. Eu pensava que o comunismo abolisse com a pobreza.
Além disto, se vê aqui no Brasil, que o conceito de pobre e rico para os comunistas é bem elástico. Se eles estão no poder, quem ganha 120 dolares é bem de vida. Se estão na oposição estes mesmops são miseráveis.
Humberto
On 12/03/2014
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o Brasil precisa exportar seu know-how, os Russos precisam saber que no Brasil, em um passe genial dos camaradas, muitos brasileiros sairam da classe baixa para a média. Graças a revolução social patrocinada pelo nossos camaradas tupiniquins, para ser promovido à classe média basta ganhar entre 291 e 1019 reais mensais,  e hoje mais de 50% é classe média no Brasil, que maravilha ! (www.sae.gov.br/site/? p=17351)
Somos ricos e não sabíamos !
Joceli
2014-03-12 20:47
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