sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Povo desinformado faz gol contra

Por Almir Quites

ARMAS, UM NEGÓCIO SANGRENTO

Até 2003, qualquer brasileiro com mais de 21 anos podia andar armado na rua, no carro, nos bares, nas festas e parques, “shoppings centers” etc. Podiam-se comprar armas em lojas de artigos esportivos, onde elas ficavam em prateleiras, geralmente na seção de artigos de caça. Havia propaganda de armas, de página inteira, nas principais revistas e jornais. As indústrias bélicas faziam "lobbies" (atividade de pressão de um grupo organizado sobre poderes públicos) no Congresso e tratavam de fortalecer a conhecida "bancada da bala" para defender e ampliar seus negócios.


No entanto, a criminalidade aumentava. Durante as duas décadas anteriores a 2003, as taxas de homicídios por arma de fogo subiam na média de 8% ao ano. De 6 homicídios por 100.000 habitantes, em 1980, ela chegou a 29 homicídios, em 2003.

Para conter o aumento dos assassinatos foi sancionado, em 2003, o Estatuto do Desarmamento, que restringiu radicalmente a posse de armas no país. Desde então a taxa de homicídios decresceu até 2007, atingindo o valor de 25,5, e depois voltou crescer, chegando a praticamente o mesmo valor de 2003, precisamente 28,9 homicídios por 100 mil habitantes em 2015, conforme o Atlas da Violência (2017, do IPEA).  Observe o gráfico seguinte. 

É certo que o Estatuto do Desarmamento foi eficaz, reduziu muito a criminalidade e por muitos anos. Porém ela voltou a crescer, em parte devido ao empobrecimento do povo e à deterioração do sistema educacional. Só 15 anos depois, a criminalidade voltou ao nível de 2003.


IPEAInstituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Segundo a OMS, em 2017, a taxa do país chegou a 30,5 homicídios/(100 mil hab.) e era a nona mais alta do mundo!

Na cidade do Rio de Janeiro, a taxa de homicídios era de 58,3, em 2003, o dobro da brasileira. Com o advento do Estatuto do Desarmamento, caiu até o valor de 24, em 2014, ano em que o atual Governador Luiz Fernando Pezão substituiu a Sérgio Cabral Filho no Governo do Estado. Então começou a subir, chegando a 32,5, em 2017. A correlação deste ponto de inflexão com a troca de governo ainda não está clara.

É óbvio que os dados desmentem a tese de que o desarmamento da população aumentaria a taxa de homicídios. 

O fato é que o Estado do Rio faliu e a cidade do Rio de Janeiro continua sendo o "tambor do Brasil". Lá, a criminalidade da cidade cresceu de 24,1 homicídios /(100 mil hab.), em 2015, para 36,6, em 2017. Ainda não está clara a correlação deste fato com o esgotamento das UPPs. O lobby das armas se aproveitou disso, alardeando suas teses para todo o Brasil. Intensificou a propaganda pelas redes sociais com argumentos de fácil e ingênua assimilação, tal como "os bandidos estão armados enquanto a população de bem está desarmada e não pode se defender". A propaganda das armas tem sido repassada abundantemente nas redes sociais.

É triste! Não dá para acreditar que armar o povo seja solução para estancar a criminalidade. 

O fato é que não sabemos nos unir para fiscalizar os governos e para fazê-los nos dar segurança. Isto, no entanto, não justifica que acreditemos em mágicas. Colocar armas nas mãos da população, como se pudéssemos distinguir quem é e quem não é pessoa de bem, não é garantia alguma de paz, mas sim de mais violência e caos. Esta mágica não funciona!

Quem tem arma decide a quem matar. Acreditar que a arma será usada só nos casos de legítima defesa é um erro. O povo não tem educação nem preparo para isso, mata até quando comemora algo, alvejando o céu, como se a bala não voltasse e chegasse ao chão com a mesma velocidade com que saiu da arma. 

Enquanto isso, o governo continuará omisso, enganando o povo com a farsa eleitoral e articulando os políticos para melhor se apoderarem ilicitamente dos recursos do orçamento público federal. São R$ 3.500.000.000.000,00 por ano disputados em acordos suprapartidários. 

Considero absurdo que se considere que o problema da criminalidade se resolva só com o armamento indiscriminado do povo. Ao contrario, isto seria um bárbaro retrocesso. 

O que precisamos é organizar a sociedade e educar o povo, sem doutrinação de qualquer tipo. Embora isto não ofereça solução imediata, pelo menos também não representa um retrocesso imediato.

O debate sobre o fetiche das armas, seu porte indiscriminado e seus riscos está se tornando muito sensível e fanatizado.  Infelizmente chegamos a um ponto tal que, só por divergir dos apoiadores do armamentismo, pode-se perder amigos ou ser ofendido. Isto, é comum nas redes sociais. Isto é patrulhamento ideológico e ofende o direito dos cidadãos de pensar livremente. 

Os armamentistas nem desconfiam, mas há muitas décadas são sistematicamente doutrinados pelo lobby das armas, que tem alcance internacional. Há fortes interesses financeiros por trás deste movimento.


𝓐𝓵𝓶𝓲𝓻 𝓠𝓾𝓲𝓽𝓮𝓼
Almir Quites

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Curiosidade
Uma carta de cunho politico escrita em 07 de setembro de 2006.
É interessante relembrar o que acontecia na política naquela época. 
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