sábado, 31 de dezembro de 2016

Ano Novo, respeite o Ano Velho.

Por Almir Quites - 30/12/2016



Hoje, vai-se ANO VELHO e nasce o ANO NOVO. Olhar para o passado e imaginar o futuro é um impulso natural, nesta época do ano.

Feliz ANO NOVO! Adeus, ANO VELHO! É o que dizem todos e eu também. Acreditamos que o novo será melhor!

Mas, quem é o ANO NOVO?

O ANO NOVO é um jovenzinho, imaturo, que se acha adulto e pensa que sabe tudo. Será que poderá evoluir em apenas 365 dias ou não passará de um tolo petulante?


Claro que há muitos jovens honestos, estudiosos, mas não há garantias para acreditarmos que o ANO NOVO seja um deles. O novo ano pode ser melhor que o velho, mas só se ele for capaz de reconhecer acertos do ANO VELHO e analisar, com madureza e em seus detalhes, o contexto enfrentado por ele.

"Um novo ano é um novo começo". Assim pensamos, mas não é verdade. O problemas não se extinguem automaticamente no final de cada ano. Considere, por exemplo, que quase todas as famílias possuem pessoas queridas acometidas de deficiências ou doenças crônicas. Para elas, as metas almejadas são inatingíveis. Convém que se iludam? Não! A ilusão impede a adaptação à realidade. O choque com o real seria mais dolorido. Uma meta inalcançável coloca o foco justamente na doença incapacitante. Tais pessoas acabam, sem perceber, identificando-se com o ANO VELHO!

Nossos desejos para o ANO NOVO, no entanto, não consideram nada disso. Distraidamente saímos por aí repetindo: "Que você possa ...!"; "Que você tenha...!". Pensamos apenas em distribuir otimismo sem pensar nas improbabilidades ou mesmo nas impossibilidades.

Nossa cultura herdou do hemisfério norte o sentimento característico das festas pagãs, associadas ao solstício de inverno (no meio do inverno de dezembro), representado pelo começo da vitória do deus Sol sobre as Trevas! Reproduzimos este comportamento aqui, sem perceber que estamos em pleno verão, quando o Sol começa a perder força! 

No fim do ano, invariavelmente o ANO VELHO, tão festejado há apenas um ano, é condenado sem julgamento. Há uma crendice que manda esquecê-lo o mais rápido possível. Para isso, canta-se, dança-se, soltam-se estridentes foguetes, que explodem dinheiro, e bebe-se muito, sem faltar uma especial taça de champanha à meia-noite. 

Sejamos justos e benevolentes com o VELHO. Reconheçamos o que aconteceu de bom em 2016 e também o que de ruim foi sabiamente evitado. 

O ANO VELHO (☆ 01/01/2016 – † 31/12/2016) foi um ano difícil para os brasileiros, principalmente quanto à política e à economia, o que acaba por repercutir em quase todas as esferas da atividade humana. 

Tivemos o trágico crescimento da criminalidade, da violência urbana, desastres naturais. Não me refiro aqui ao mega desastre da queda da barragem de Mariana, porque não foi natural, foi causado pela atividade humana. 
Adaptado de
https://jottas.files.wordpress.com/2016/02/quesito-corrupcao.jpg

Tivemos também o arrocho salarial, aumento do desemprego, da instabilidade política, da corrupção. Os desvios de dinheiro propiciaram o enriquecimento ilícito de muitíssimos políticos. 

O ANO VELHO, no entanto, vai ser lembrado como um ano valioso, positivo. Foi quando se conseguiu revelar as maiores falcatruas políticas, desfalques bilionários, que demonstraram que o dinheiro público estava sendo desviado de seus objetivos. Nunca antes tanta gente poderosa tinha sido presa. Ainda falta ele, é claro, o poderoso Chefão da Silva, mas o cerco está se fechando. 

O ANO VELHO revelou aos cidadãos brasileiros os piores indicadores que se tem conhecimento no campo do emprego e dos serviços, os quais eram criminosamente ocultados do povo brasileiro. 

O ANO NOVO deve se inspirar no VELHO e tentar continuar a sua obra. Assim como fez o ANO VELHO em relação ao ano que o antecedeu, o ano de 2015. Até então acreditávamos que o Brasil era maravilhoso e mal suspeitávamos que a eleição de Dilma Rousseff tinha sido comprada em tenebrosas transações. 

O ANO VELHO também revelou a crescente fragilidade das instituições brasileiras. Descobrimos que nosso país não é jovem, nem saudável, nem educado, nem inteligente... O Brasil está acometido de uma doença incapacitante. 

Portanto, é um erro crasso pensar que basta recuperar a economia brasileira. Não adianta ter mais dinheiro enquanto o organismo permanece doente. 

Salvar a economia é o que todos os políticos querem, inclusive os corruptos. O que os políticos corruptos não querem é fortalecer as instituições para que sejam realmente eficazes. Isto é chamativamente óbvio!

O atual governo, do Presidente Temer, acredita que basta salvar a economia, mas isto não é verdade. Salvando apenas a economia, prolonga-se a ilusão, pois o status quo será mantido e novas crises, até piores, virão. Um país não morre, mas infelicita e mata o seu povo.

Alguns números da economia realmente melhoraram. Nas contas externas, por exemplo, constata-se que déficit de conta corrente é de apenas 1% do PIB, o saldo comercial está em torno de US$ 50 bilhões. Os resultados da BOVESPA mostram uma subida de 40000 pontos (valor do no meio do ano) para 60000; o dólar, que chegou a valer R$ 4,20 reais, vale agora R$ 3,25; o risco brasil que chegou a 500 pontos caiu para 350 e a inflação caiu para 6,3% ao ano, devido, é claro, a fortíssima recessão. Ninguém quer comprar, porque a pobreza ainda é enorme. O desemprego permanece alto (12%). No entanto, o mais importante não é isto. 

O mais importante é tratar da doença que incapacita o Brasil, a verdadeira causa das crises. Foram os VELHOS ANOS (2015 e 2016) que mostraram isto aos cidadãos brasileiros, tanto é que o evento mais significativo de 2016 não foi a votação formal do impeachment da ex-presidente Dilma, na Câmara e no Senado, mas a magnífica manifestação que levou milhões de pessoas pacíficas, mas cheias de patriótica indignação, às ruas de todo o país em 13 de março de 2016. É claro que a manifestação era apenas mais um episódio do mesmo levante popular de 2015, que deu origem aos maiores protestos políticos de nossa história, ocorridos em 15 de março, 12 de abril e 16 de agosto. 

O povo percebe que a crise econômica tem causas e que estas não estão sendo removidas, ao contrário, tentam disfarçá-las.

Para entender melhor a debilidade de nossas instituições, basta lembrar alguns fatos bem conhecidos:
➠ que os políticos brasileiros são os mais caros do mundo, recebem mordomias e privilégios de todo o tipo, inclusive o foro privilegiado
➠ que há total e explicita desarmonia entre os poderes da República, os quais são conduzidos por interesses pessoais; 
➠ que o STF faz política e não justiça; 
➠ que o Presidente da República ainda edita Medidas Provisórias inconstitucionais; 
➠ que os Congressistas vendem votos por dinheiro, por cargos, por emendas etc.; 
➠ que Deputados da Câmara Federal fizeram “emendas à meia-noite” para inverter os objetivos das medidas anticorrupção propostas pelo povo brasileiro e, ao as aprovarem, votaram em causa própria;
➠ que o presidente do Senado, tornado réu por desvio de dinheiro público pelo STF, desacatou liminar do próprio STF e o abateu, forçando-o a submeter-se a si próprio; 
➠ que o Presidente Temer está refém das forças políticas e não consegue dar rumo ao seu governo; e
➠ que o nosso sistema eleitoral é uma fraude monumental, no qual a apuração eleitoral é secreta, não possibilita qualquer conferência para confirmar os resultados que são divulgados pelo Tribunal (ainda usamos as urnas tipo DRE, abominadas em todo o mundo). 

Para exemplificar a farra com o dinheiro público, atentemos para o que ocorre na Câmara Federal. O auxílio-moradia concedido aos parlamentares é quase o dobro de uma diária em um hotel de três estrelas (R$ 3800,00). Os imóveis são moradias de luxo, equipados com hidromassagem e mobiliados nas principais grifes de arquitetura da capital. A Câmara investiu R$ 600000 em cada uma das 432 unidades de 240 metros quadrados. Manter cada apartamento custa à Câmara R$ 2200,00 mensais, incluindo lavanderia para higienização de cortinas e jardinagem da área externa. Os deputados recebem verba para contratar até 25 pessoas para prestar serviços a ele. A verba é de R$ 78000,00 mensais. Há ainda a “farra das passagens”, Um deputado de Roraima, por exemplo, dispõe de R$ 23000,00 para gastar com passagens aéreas. Um parlamentar de São Paulo, de R$ 12000,00. Não bastasse o excesso de privilégios, os vencimentos também são elevadíssimos. Com a prerrogativa de definir os próprios aumentos de salário, os parlamentares criaram índices econômicos próprios, à revelia da inflação oficial. 

E no Senado? Bem, fica para outra oportunidade.

Nem o próprio Presidente da República, o Constitucionalista Michel Temer, respeita a Constituição da República Federativa do Brasil! Leia aqui:
O CONSTITUCIONALISTA E A CONSTITUIÇÃO
http://almirquites.blogspot.com.br/2016/12/o-constitucionalista-e-constituicao.html

Não basta melhorar a economia, é preciso adequar e fortalecer as instituições.

Há 470 anos, um famosíssimo poeta português escreveu: "Jamais haverá Ano Novo se continuar a copiar os erros dos Anos Velhos” (Camões, 
☆ 1524 — † 1579).

Será que ainda não aprendemos algo tão evidente?

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POR QUE NOSSA POLÍTICA É TÃO BURRA?
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