quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Fatos e inversões

Por José J. de Espíndola #
# José J. de Espíndola é Engenheiro Mecânico pela UFRGS, Mestre em Ciências pela PUC-Rio, Doutor (Ph.D.) pela Universidade de Southampton, Inglaterra, Doutor Honoris Causa da UFPR, Professor Titular da UFSC, Departamento de Engenharia Mecânica, aposentado.



Adaptação de original de NiltonSilva.com
Volto depois. 

OCUPAÇÃO

Direção do Centro Sócio-Econômico da UFSC decide suspender as aulas
20/11/2016- 21h34min  -  Atualizada em 21/11/2016- 

A direção do Centro Sócio-Econômio (CSE) do campus da UFSC em Florianópolis decidiu suspender as aulas, nesta segunda-feira, alterando a rotina de cerca de 4 mil estudantes. A suspensão é consequência da briga entre movimentos pró e contra a ocupação da universidade, que acabou com pessoas feridas na última sexta-feira. O CSE é um dos quatro centros da UFSC ocupados em protesto contra a PEC 241 e as políticas de Michel Temer.

— A direção decidiu pela suspensão para tentar um quadro de negociação, um entendimento para que não se repitam os acontecimentos de sexta. Divergências são admissíveis, mas a solução nunca pode ser pela força, pela iniciativa individual de agressão — diz o reitor da UFSC, Luis Carlos Cancellier.

Segundo o reitor, a previsão é de que na terça-feira as aulas sejam retomadas no CSE. As agressões ocorridas na sexta-feira, diz Cancellier, serão apuradas em procedimentos administrativos da própria universidade. 

A orientação para que as pessoas ofendidas registrem queixa na ouvidoria da instituição. Pelas redes sociais, o reitor da UFSC mostrou preocupação com os acontecimentos recentes e pediu calma aos alunos:

"Estamos trabalhando em conjunto com o Ministério Público Federal, as direções dos centros e a Coperve para resolver a situação. Nos próximos dias as medidas cabíveis serão tomadas", escreveu.


Do site acima destaco uma preciosidade do nosso ‘magnífico’ reitor. Em entrevista, o "Roselane reitor"* atual diz: “Divergências são admissíveis, mas a solução nunca pode ser pela força.”

Então pergunto eu ao arguto reitor: Será possível ocupação (à força) de equipamento público, impedindo (à força) que este cumpra sua finalidade para a qual foi construído pelos pagadores de impostos, bloqueando (à força) o movimento dos que lá querem estudar, trabalhar, ir e vir, sem violência e sem o uso da força?

Afirmo que não, prezado "Roselane reitor". 

Há, na sua afirmação, uma contradição essencial, indigna de um Reitor de uma universidade, uma instituição acadêmica de gente pensante. 

A ocupação de equipamento público, impedindo que este cumpra a finalidade para a qual foi construído pelos pagadores de impostos, bloqueando o movimento dos que lá querem estudar, trabalhar, ir e vir, implica num desvio de finalidade do próprio equipamento, coisa ilegal, e, pior, na agressão a um direito constitucional dos bloqueados. 

Não sei se o senhor, enquanto aluno de Direito aprendeu coisa tão elementar. Não sei se o senhor, já quando professor de Direito (vejam só!) veio a deparar-se com conhecimento tão fundamental. 

Ou será que por interesse eleitoral futuro (até declaração em contrário, o tenho-o com futuro candidato à reeleição) o senhor aprendeu essas coisas e as esqueceu? Não lhe passa pela cabeça que sua simples observação passiva dos fatos lesivos à UFSC e à sociedade é crime de PREVARICAÇÂO? 

Cuidado, Prof. Cancellier, os costumes, neste Brasil de Sergio Moro, estão mudando rapidamente, como bem o mostra a fauna presa hoje em Curitiba e a cana em que foram metidos dois ex-governadores do Rio, em um espaço de um dia.

Abra agora, leitor, a seguinte URL e leia a notícia. Volto depois.
http://dc.clicrbs.com.br/sc/noticias/noticia/2016/11/discussao-entre-grupos-pro-e-contra-ocupacao-da-ufsc-acaba-em-agressao-8393141.html

Do site acima, destaco a seguinte frase de Roselane, digo Cancellier:
"a universidade repudia qualquer ato de violência, venha de onde vier, estudantes, técnicos ou professores". 

Então eu pergunto, reitor: a universidade (quer dizer, o seu reitor) repudia até mesmo os atos de violência embutidos nas ocupações criminosas e inconstitucionais, como expus anteriormente?

Ou aquelas violências não contam? Ou o prezado jurista ainda não se deu conta daquela violência?

Se “repudia qualquer ato de violência”, por que então se cala e se omite ante a brutal violência das ocupações na UFSC, feitas por desocupados (alguns até estudantes), vagabundos, para os quais estudar e trabalhar e um sacrifício, do qual fogem como o cristão do diabo?

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* Para entender esta referência, leia o meu artigo Shakespeare e Roselane (Fontehttp://www.apufsc.org.br/Artigos.aspx mode=detail&RowId=HupxFormContentID=6725&HupxFormContentID=6725)

Shakespeare e Roselane

“What is in a name? That which we call a rose, by any other name would smell as sweet” (Shakespeare, pela boca de Julieta)

Como o Cancellier lê Inglês apenas “razoavelmente”, conforme declara em seu currículo Lattes, penso que devo traduzir a frase acima.
Naquele tempo, disse Julieta a seu amado Romeu, este trepado em uma árvore e querendo (esperto) entrar no seu quarto: “O que é um nome? Aquela que chamamos rosa, com outro nome teria o mesmo perfume.”
E como ficamos nós, ante este sábio ensinamento da doce Julieta, sabendo que Cancellier, embora não tendo o nome de Roselane, tem o mesmo perfume ideológico (ou algo do gênero), ou que é farinha do mesmo saco ideológico de Roselane? Que têm, ambos, o mesmo perfume ideológico (ou algo do gênero) ficou claro na campanha que se encerrou.
Ambos são a favor da democratitica universitária, aquela visão subtropical, subdesenvolvida e ultra cretina que vê na universidade não uma instituição calcada no mérito acadêmico, mas um clube social onde são sócios todos os docentes, discentes e servidores técnico-administrativos. Pior, bem pior: sócios que não pagam mensalidades, mas recebem salários e benefícios educacionais gratuitos, tudo pago pelos contribuintes.
Ambos são irremediavelmente adeptos da eleição paritária para reitores e demais funções eletivas na universidade, embora isto seja claramente ilegal, já que a Lei determina algo bem diferente.
Também ambos são a favor de prestigiar o Andes-SN na UFSC - dando-lhe atribuições de representatividade e permitindo que dê pitecos em órgãos e comissões-embora a Justiça, reiteradas vezes, afirmou que aquele sindicato nacional não representa os docentes das universidades federais em Santa Catarina.
Se o nome não tem importância, se o que conta é o perfume (qualquer perfume), podemos intercambiar os nomes? Se podemos, cara Julieta, vamos lá:
Roselane perdeu as eleições no primeiro turno.
Mas Roselane ganhou as eleições paritárias no segundo turno.
Roselane agrediu a Lei, criando uma eleição viciada na origem, paritária, portanto ilegal, e nula de pleno direito.
Mas Roselane, vitoriosa nestas mesmas eleições paritárias (perdeu na proporcional, a única prevista em Lei), tudo fará para ganhar a reitoria, no tapetão do MEC. ‘Irmãos’ influentes em Brasília não faltarão para a tarefa.
Pobre UFSC!
Tão promissora no seu alvorecer.
Tão abandonada da sorte e da razão, que não consegue se livrar de Roselane.
Tristes trópicos!
*José J. de Espíndola 
Professor Aposentado
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Leitura complementar:


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