sábado, 27 de dezembro de 2014

NOTÍCIAS DO ANO QUE VEM

por José J. de Espíndola, PhD.
26/12/2014

Dilma, a Parva, já começa a indicar alguns dos seus quarenta e um (por ora!) ministros de porteira fechada para o próximo governo progressista e popular. Já são treze os indicados, todos muito confiáveis, exceto Joaquim Levy, um estranho no ninho ministerial e de origem no famigerado mercado financeiro.


Eis algo que se sabe, por enquanto:

1) Aldo Rebelo (ou será Rabelo, perguntava o Millôr [Nota 1 deste blog, abaixo]), do popular e progressista partido PC do B, está escalado para ocupar o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) porque, segundo a presidANTA, o Brasil precisa de uma pessoa altamente qualificada para administrar a ciência e a tecnologia nessepaís. Segundo ainda Dilma, a Parva, o aprendizado em ciência e tecnologia de Rabelo, enquanto cuidava o ministério dos esportes, o faz a pessoa mais importante para ocupar o MCT.
Informações ainda não confirmadas dão conta de que docentes universitários, eleitores de Dilma, estão preparando um abaixo assinado louvando a sabedoria da presidANTA pela escolha do renomado especialista em administração de C&T. Informa-se, ainda, que esses eleitores – subscritores do abaixo assinado consideram a posição de Rabelo ‘contrária a qualquer inovação tecnológica que seja poupadora de mão-de-obra’ muito avançada, popular e progressista. Se vier a ser aprovado este seu projeto de lei que tramita desde 1994 (as chances agora aumentam muito!), tem-se como certo o fim das pesquisas e desenvolvimentos em robótica no país, já que robôs, segundo o eminente cientista Rabelo (ou será Rebelo?), são ferramentas antissociais e poupadoras de mão-de-obra por excelência [Nota 2 deste blog:]. Segundo esses eleitores - subscritores, a ciência e a tecnologia populares e progressistas agora vão deslanchar no Brasil.

2) Depois de doze anos nas mãos de petistas, todos reconhecidas autoridades em educação (Torso, o Genro, Fernando Haddad, o Poste, Aloizio Mercadante, o Irrevogável e Henrique Paim), Dilma resolveu agora colocar alguém à sua altura intelectual e moral no ministério da Educação: El Cid, o Gomes, do PROS, Partido Republicano da Ordem Social. El Cid, o Gomes, antes de acampar no PROS, por absoluta convicção programática, como bom cavaleiro cavalgou antes pelos PMDB, PSDB, PPS e PSB. Jovem como é (tem apenas 51 anos) promete cavalgar ainda por muitos outros partidos a serem criados nessepaís. Claro, esta mobilidade toda é apenas por convicções programáticas, como já foi dito aqui.
Mas as cavalgadas de Cid, o Gomes, não se limitam a percorrer partidos políticos. É famoso o seu galope, quando governador do pujante estado do Ceará, por vários países europeus, durante um passeio de 10 dias, em um corcel aéreo alugado pela bagatela de R$388.596,00 (valor de 2007) pagos pelos contribuintes daquele rico estado. Acompanharam o périplo do governador sua esposa, sua sogra, dois assessores e respectivas esposas. As hospedagens foram nos hotéis mais caros das cidades europeias por onde cavalgou, conforme se vê no site abaixo:


Há outras cavalgadas do mesmo herói cearense El Cid, o Gomes. As URLs abaixo mostram apenas três a mais. Certamente foi este notável currículo, mais a notoriedade deste grande cavaleiro no campo da educação, a exemplo de Rabelo na ciência e tecnologia, que levou a presidANTA Dilma, a Parva, a decidir por El Cid, o Gomes, para o MEC.
A educação, a ciência e a tecnologia brasileiras estão salvas.


  • Nota 2 deste blogNão só robôs! Máquinas de lavar roupa, lavar pratos, fogão elétrico, fogão a gás, tudo isso é ferramenta antissocial e poupadora de mão-de-obra por excelência. Aliás até o e-mail. A rigor, até invenções da idade da pedra poupavam mão de obra.

Eis um artigo antigo, mas bem a propósito do novo (?) ministério de Dilma para a educação. Não deixem de ler, também, duas notas de rodapé (*) deste humilde escrevinhador que vos fala.

José J. de Espíndola


A prisão da língua
Avança o projeto de lei que proíbe palavras estrangeiras. A vítima será o idioma português
http://veja.abril.com.br/veja_online_2006/imagens/fio_assinatura.gif
(Rafael Corrêa e Vanessa Vieira, Veja de 26/09/207)
http://veja.abril.com.br/261207/imagens/cultura1.jpg
Se uma lei que proibisse estrangeirismos tivesse sido adotada quando o Brasil se tornou independente, em 1822, não teríamos palavras como futebol e sanduíche, ambas do inglês, sutiã e envelope, vindas do francês

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados deu um passo atrás há uma semana. O grupo aprovou por unanimidade o projeto do deputado federal Aldo Rebelo, do Partido Comunista do Brasil, que pretende banir o uso de palavras estrangeiras em anúncios publicitários, meios de comunicação, documentos oficiais, letreiros de lojas e restaurantes. Caso o projeto se torne lei, quem for comprar um mouse para o computador terá de procurar na prateleira por um "rato". Aliás, ao comprar o próprio computador, terá de pedir ao lojista por um "ordenador". Não se poderá mais promover shows, e sim apresentações musicais... e por aí afora. O projeto de Rebelo, que já passou pelo Senado, será agora encaminhado à votação no plenário da Câmara. Caso ele seja aprovado, o Congresso terá deflagrado um retrocesso sem precedentes na história da língua portuguesa. O projeto se baseia na premissadesmiolada de que o português estaria ameaçado pela invasão de termos em inglês usados pela população, principalmente aqueles trazidos pelas novidades tecnológicas.
A percepção de que a língua de Camões estaria perdendo a guerra contra um ataque incessante de estrangeirismos é equivocada e despreza a natureza dos idiomas. A história mostra que todos eles absorvem palavras de outros idiomas para ampliar seu vocabulário. Nesse processo, as línguas evoluem, tornam-se mais ricas, e não o contrário. Além do mais, segundo os especialistas, o projeto de Rebelo é inviável. "O projeto do deputado Rebelo está fadado ao fracasso porque quem manda nos rumos do idioma é a língua falada", diz o filólogo Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras. "Já passou a época em que o estrangeirismo era considerado um invasor. Hoje, sabe-se que ele enriquece o léxico", ele completa. O nacionalismo linguístico é uma parvoíce, mas volta e meia surge quem o defenda no Brasil. No século XIX, foi a vez de Rui Barbosa. O jurista criticou duramente o escritor português Eça de Queiroz por usar galicismos em seus romances. As palavras que escandalizavam Rui na prosa de Eça eram massacre, detalhe e envelope, as três de origem francesa. "Nessas degradações da palavra, continuará ele a exercer seu ofício de atuar criadoramente sobre o idioma? Não pode ser", escreveu o Águia de Haia. Hoje, as palavras que lhe causavam repulsa estão perfeitamente incorporadas ao português. Como se vê, Aldo Rebelo desconhece a forma como as línguas funcionam. *
Historicamente, a multiplicação dos vocábulos nos idiomas se dá nas conquistas de territórios, nas migrações de populações e na exportação de componentes culturais dos países. Na Idade Média, a língua portuguesa contabilizava apenas 15.000 palavras. No século XVI, período marcado pelas grandes navegações, esse número dobrou. No fim do século XIX, os dicionários já registravam 90.000 vocábulos. Hoje, a Academia Brasileira de Letras calcula em 400.000 o total de palavras da língua portuguesa. A origem dos vocábulos incorporados ao português ao longo dos séculos variou conforme o tipo de contato mantido com outros povos. Entre os séculos VIII e XV, o idioma absorveu muitos termos de origem árabe por causa da ocupação moura na Península Ibérica**. Durante o Renascimento, a arte e a arquitetura italianas universalizaram várias palavras relacionadas a elas. No século XIX e nas primeiras décadas do século XX, a França ditava a moda no Ocidente, e várias palavras de origem francesa foram incorporadas ao português.
A tentativa de proteger idiomas das influências estrangeiras é característica de governos autoritários (veja o quadro). "Na Alemanha nazista, o projeto de arianização da cultura alemã teve sua imagem simbólica na queima pública dos livros não alemães", lembra o historiador Wagner Pinheiro Pereira, pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação da Universidade de São Paulo. De autoritarismo, Aldo Rebelo entende. Durante muito tempo ele e o PCdoB teceram loas ao comunismo ao estilo albanês, que produziu um dos países mais atrasados da Europa. Nas democracias modernas, a principal tentativa de promover um nacionalismo lingüístico ocorreu na França. Em 1994, o presidente François Mitterrand sancionou a Lei Toubon, que determinava a substituição geral de termos estrangeiros por seus equivalentes em francês. Primeiro, a lei foi ridicularizada pelo povo, que a apelidou de Lei All Good – tradução para o inglês da sonoridade do nome do ministro Toubon, que a propôs. A seguir, vários de seus artigos foram considerados inconstitucionais e hoje vigora apenas uma versão mais branda da lei. E em que Aldo Rebelo se inspirou para criar seu projeto esdrúxulo de cercear o avanço do português? Na Lei Toubon, é claro. O deputado poderia começar sua sanha nacionalista mudando o nome da agremiação em que milita. Afinal, a palavra "comunista" é um imperdoável galicismo.
*******
Notas:
* “Como se vê, Aldo Rebelo desconhece a forma como as línguas funcionam”.
Talvez esteja aí mesmo a razão de Dilma, a Parva, tê-lo escolhido para a pasta da Educação; ela que que nem de longe entende como a língua (o idioma, quero dizer) funciona. Talvez Rebelo (ou será Rabelo?) venha, como seu ministro da Educação, a propor uma lei que valide o ‘comprimento’, quando se deveria dizer ‘cumprimento’, e formas similares. Surpresa? Não deveria haver surpresa: ela já fez passar uma lei validando o ‘presidenta’...
** A palavra álgebra ( de al – jabr) vem do árabe e foi cunhada nos anos 900 d.C. Foi trazida para o ocidente com as invasões mouras. Temo que com este ignorante na educação, o ensino de Álgebra Linear fique proibido nos cursos de engenharia. Não só Álgebra Linear, como as demais aplicações técnicas que dela derivam, como Controle Linear, Teoria de Estruturas Lineares, etc... O fato de Rebelo nada entender de álgebra (ele de nada entende mesmo, nem de comunismo, seita religiosa a que diz pertencer) não justifica que não conheça sua origem. Dizem que até o Tiririca sabe isso. Em suma, sua escolha para a educação do país está bem a altura do novo (????) governo que se anuncia, que tem no topo uma mentecapta, Dilma, a Parva. Soube hoje que o abaixo assinado dos docentes-eleitores de Dilma, nas universidades do país, em apoio à presidANTA pela escolha de Rebelo para a educação, cresce firme e logo, logo será entregue em cerimônia publica. Quem representará o EMC nesta solenidade?

http://veja.abril.com.br/261207/imagens/cultura2.jpg


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