terça-feira, 26 de agosto de 2014

VÍRUS DA DOUTRINAÇÃO INCURÁVEL FOI EXPOSTO NO RODA VIVA

26/08/2014
Assisti ontem (25/08/2014) ao RODA VIVA, ao vivo, da TV Cultura e fiquei impressionado.

O entrevistado foi Lira Neto, autor da trilogia biográfica de Getúlio Vargas.  

No final deste texto você poderá ver o vídeo do Roda Viva na íntegra.


Na década de 1930, Getúlio Vargas implantou no Brasil um regime duro, regado com intensíssima propaganda nacionalista. A doutrinação política era tão intensa que, naquela época, era comum ver-se o "retrato do velho" (forma carinhosa de se referir ao ditador) na parede de lares brasileiros. Havia famílias rezavam diante do retrato de Getúlio ainda vivo. Depois de morto passou a ser normal. Rezavam pelo “pai dos pobres"!

O suicídio de Getúlio gerou comoção nacional, principalmente depois da divulgação de sua Carta-Testamento. Muita gente festejou sua morte e muito mais gente chorou. Famílias se dividiram, o marido alegrava-se enquanto a esposa chorava ou vice-versa. 

Como foi a entrevista no Roda Viva?

Lira Neto começou dizendo que analisara os fatos históricos sem qualquer paixão ideológica, mas logo demonstrou claramente que mentia a si mesmo. Evidenciou-se, como sempre, a força descomunal da doutrinação. Examinar os acontecimentos históricos com imparcialidade, fiel aos fatos, é algo que está acima da capacidade de quem tornou-se fanático. 

Lira Neto admite que Getúlio Vargas foi um ditador cruel (1930 a 1945), que admirava os ditadores Benito Mussolini (Itália) e o Adolf Hitler (Alemanha). Ele admite também que Getúlio Vargas enviou militares brasileiros à Alemanha para aprender técnicas de tortura junto a Gestapo ("Geheime Staatspolizei", ou polícia secreta do Estado), que instalou uma repressão política sem precedentes e inaugurou a tortura policial no Brasil. Getúlio censurou a rádio e a imprensa da época e assim controlou absolutamente a mídia. Contudo, Lira Neto considera que este malfeitor, Getúlio Vargas, foi o maior estadista de todos os tempos, acrescentando o enigmático e inexplicável complemento: "seja para o bem, seja para o mal"! O certo é que Lira admira o ditador Getúlio Vargas, taxando-o de "deliciosamente contraditório". Por sua vez, a entrevistadora Maria Aparecida de Aquino (historiadora) parece não caber em si de tanta felicidade quando houve um elogio ao Getúlio.

Quem rasgou as Constituições de 1989 e de 1934 e governou por decreto, com plenos poderes, de 1930 até 1945, foi Getúlio Vargas, contudo, para Lira Neto, o golpista foi Carlos Lacerda, um  simples jornalista que corajosamente acusava Getúlio de corrupto e pregava a sua deposição. Lira Neto chega a sugerir que foi o próprio Lacerda que matou o major Rubens Vaz no atentado da rua Tonelero, 19 dias antes do suicídio de Getúlio. Os tiros disparados feriram Carlos Lacerda e mataram o major Vaz, que o acompanhava. A investigação subsequente identificou, como mandante do crime, o chefe da segurança pessoal de Getúlio Vargas, Gregório Fortunato, apelidado de "O Anjo Negro".

Lira Neto acredita em todos os argumentos pró-getulistas que vicejavam àquela época, em que ele nem era nascido, e os traz de volta ao presente. Assim, ele mostra claramente como a doutrinação política é capaz de vitimar uma criança como ele na década de 1960 e persistir, incapacitando o cérebro durante mais de 60 anos.

Getúlio, por ser advogado, era o intelectual de uma confraria de estancieiros toscos e valentões do oeste do Rio Grande do Sul. A mediocridade de Getúlio Vargas, de seu governo, de sua família, seus ministros, seus asseclas, seus aliados e até de seus opositores era típica daquela época. O irmão mais velho de Vargas, Viriato, era um assassino conhecido. Seu irmão mais novo, Benjamin, o Beijo, era contrabandista, chantagista, bêbado, um vulgar arruaceiro de boates. Getúlio produzia frases de efeito, mas só atuava na baixa política, lidando com políticos venais e militares truculentos. A corrupção era enorme! 

No segundo mandato de Getúlio, para o qual ele foi regularmente eleito (1951 - 1954), a corrupção ficou mais visível porque o país se tornara um pouco mais democrático e porque então já havia oposição. Getúlio já não tinha mais todo aquele poder, não podia mais sobrepor-se aos princípios democráticos impunemente. Além disso, havia a oposição de Carlos Lacerda, pessoa de grande cultura, uma exceção entre os políticos da época. A UDN, União Democrática Nacional, queria a deposição do presidente. Obviamente ela estava certa: o Palácio do Catete era uma podridão, um lamaçal de corrupção, e o próprio Getúlio admitiu isso (sabe-se lá por que!) em seus últimos dias. Os seus assessores mais influentes, mais que qualquer ministro de Estado, eram seu irmão Beijo, o deputado Lutero Vargas e Gregório Fortunato (o "Anjo Negro"), exatamente os que engendraram o atentado contra Lacerda. Lacerda nunca se enganou com Getúlio, nem mesmo quando ainda era comunista.

Nenhum ditador deve ser enaltecido, festejado, bendito ou canonizado. Uma ditadura é um mal em si mesma. O ditador é um bandido. Numa ditadura, tudo o que de bom acontece é creditado unicamente ao ditador e tudo que de ruim acontece é ou creditado à oposição ou é esquecido. Enaltecer um ditador, qualquer que seja, é desonestidade, imoralidade.

Para completar a desastrosa e lamentável entrevista, Lira Neto afirma que depois de Getúlio Vargas, o maior estadista brasileiro é Lula, novamente acrescentando o enigmático e inexplicável complemento: "seja para o bem, seja para o mal"!

Ah!, por fim, Lira informou aos brasileiros que vai votar na presidente Dilma!



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